O bom funcionamento do intestino, responsável por parte da digestão e pela absorção de nutrientes, melhora o humor, traz bem-estar mental, auxilia na imunidade e combate inflamação e infecção. Já quando está em desequilíbrio, pode desencadear ansiedade, depressão, irritabilidade, além de inflamações crônicas, obesidade, doenças neurológicas e cardiológicas, diabetes e até câncer. E como manter o intestino saudável? Alimentos ricos em fibras, fitoquímicos e gorduras boas são bons aliados, além de hábitos saudáveis e muita ingestão de água.
O médico homeopata e professor da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), Renan Marinho, afirmou que considera o intestino como o centro da saúde. Segundo o médico, nosso microbioma é formado por diversas bactérias que convivem em equilíbrio no intestino. Universo microscópico que, de acordo com ele, é o responsável por processar nutrientes, sintetizar vitaminas, produzir substâncias para o bom funcionamento do organismo e neurotransmissores como serotonina, dopamina e ácidos graxos, “que influenciam diretamente o humor, o comportamento e o bem-estar mental”, afirmou.
É por isso que, de acordo com o professor da Famerp, a saúde intestinal e a ansiedade estão profundamente conectadas. Conexão feita pelo nervo vago, uma das principais vias entre o intestino e cérebro. “Ele transporta sinais químicos e elétricos produzidos no intestino para o cérebro, modulando respostas ao estresse e ansiedade”, explicou Marinho. Segundo o médico, pacientes com depressão, apresentam menor diversidade microbiana e níveis elevados de marcadores inflamatórios. A síndrome do intestino irritável (SII), por exemplo, frequentemente relacionada à ansiedade e depressão, também é outra resposta do mau funcionamento do intestino, de acordo com Marino, “provavelmente devido à desregulação do metabolismo do triptofano”, disse.
O mau funcionamento do intestino também causa deficiência de nutrientes, síndrome do intestino permeável (entrada de toxinas na corrente sanguínea, gerando inflamação) e infecções intestinais crônicas. “Parasitas ou infecções bacterianas podem causar sintomas persistentes, como fadiga, irritabilidade e alterações emocionais, confundidos com quadros psiquiátricos”, alertou o médico.
Doenças graves, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, obesidade e até certos tipos de câncer também podem ter relação com o desiquilíbrio intestinal, além de desencadear inflamações crônicas. “Pesquisas apontam ainda, para a influência do microbioma no surgimento de doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, uma vez que microrganismos em desequilíbrio podem liberar toxinas prejudiciais aos neurônios”, ressaltou Marinho.
