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Doenças cardiovasculares representam a principal causa de mortalidade feminina

SaúdeDoenças cardiovasculares representam a principal causa de mortalidade feminina
Dados do Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 30% dos óbitos entre mulheres no País são atribuídos a essas patologias

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As doenças cardiovasculares representam um problema de saúde pública no Brasil, particularmente entre a população feminina. Dados do Ministério da Saúde revelam que cerca de 30% dos óbitos femininos são atribuídos a enfermidades no coração, consolidando-as como a principal causa de morte entre as mulheres. Essa estatística destaca a urgência de implementar estratégias eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado.

As mulheres muitas vezes apresentam sintomas atípicos, o que pode levar a diagnósticos e tratamentos tardios. “Outro ponto é que há uma tendência histórica de se subestimar o risco cardiovascular em mulheres, levando a menos intervenções preventivas”, destaca o cardiologista Elzo Mattar.

A probabilidade de morte é maior nas mulheres porque os sintomas nem sempre são tão típicos, como a dor no peito. “Às vezes a mulher tem como sintoma a falta de ar ou um desconforto. Além disso, as artérias das mulheres são mais finas, o que pode provocar um grau de complicação mais graves nas mulheres do que nos homens. As artérias coronárias podem se fechar com mais facilidade que nos homens, por isso que o risco de morte é maior”, afirma Luciano Miola, diretor técnico do IMC (Instituto de Moléstias Cardiovasculares, de Rio Preto).

O cirurgião cardiovascular Edmo Atique Gabriel explica que existem fatores comuns como estresse, tabagismo, obesidade, diabetes e hipertensão arterial; no entanto, os fatores hormonais são mais contundentes em causar eventos cardiovasculares nas mulheres.

De acordo com o cardiologista Elzo, o período dos 50 aos 69 anos é o mais crítico para as mulheres. Esta é a fase que vai do climatério ao pós-menopausa. Nesta fase da vida, ocorrem muitas alterações hormonais e a diminuição do estrógeno, que é um hormônio com efeito protetor para os vasos sanguíneos e coração. Com a menopausa, a mulher perde esta proteção. Além do mais, após a menopausa, há uma tendência ao aumento de gordura abdominal e ao desenvolvimento de resistência à insulina, fatores que aumentam o risco cardiovascular”, explica.

Edmo complementa que o infarto, por exemplo, é observado com maior frequência em mulheres na menopausa e, nas últimas décadas, tem aumentado o número de casos em mulheres entre 30-40 anos. “Na menopausa, os hormônios femininos caem fisiologicamente e a perda da função protetora destes hormônios acarreta maior exposição a infarto do coração e derrame cerebral. As mulheres entre 30-40 anos têm acumulado estresse físico e mental, maiores taxas de tabagismo e obesidade, aumentando o risco para um infarto”.

Há os fatores de risco tradicionais, que impactam tanto homens como mulheres. Os mais frequentes em mulheres são diabetes mellitus, pressão alta, colesterol, tabagismo, obesidade e sedentarismo. “Além destes, as mulheres podem ter fatores de risco específicos, como síndrome dos ovários policísticos, uso de contraceptivo hormonal, doença hipertensiva da gravidez, eventos adversos da gravidez, menopausa precoce, doenças inflamatórias, como lúpus e artrite reumatoide, e distúrbios depressivos”, destaca Elzo.

Como prevenir

A complexidade do problema exige uma abordagem multifacetada, que inclua a promoção de hábitos de vida saudáveis. É importante fazer o check-up anual e ter um estilo de vida saudável. Os cardiologistas são unânimes em orientar que a prevenção de doenças cardiovasculares inclui também alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios físicos, bem como a conscientização sobre os fatores de risco específicos para mulheres, como o impacto hormonal da menopausa e a associação com outras condições, como a diabetes e a hipertensão.

Parar de fumar tabagismo é fundamental para a saúde cardiovascular. O tabagismo induz danos aos vasos sanguíneos e promove a aterosclerose, incrementando significativamente o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. “A nicotina desempenha um papel crucial nesse processo. A substância, presente nos cigarros, é responsável pela diminuição do HDL e pelo aumento do LDL. Além disso, a fumaça do cigarro contém mais de 5.000 componentes químicos, muitos dos quais prejudiciais à saúde humana. Alguns desses produtos químicos também podem influenciar o metabolismo e a produção de colesterol, intensificando os riscos", afirma Conrado Lelis Cecon, cardiologista.

Importante fazer atividade física e o ideal é 150 minutos de atividade por semana, ou seja, 30 minutos por dia. “Se não conseguir ir para a academia, coloque atividade física no seu dia a dia. Ao invés de elevador, prefira as escadas. Em curtas distâncias, deixe o carro na garagem e caminhe. Passeie com o cachorro. Estes são alguns dos exemplos para fugir do sedentarismo”, orienta o médico Elzo.

Edmo conclui: “A prevenção pode ser feita adotando um estilo de vida saudável, sem vícios, alimentação regrada e atividade física regular. O controle de peso é essencial para esta prevenção”.

Por que a probabilidade de morte é maior em mulheres?

Sintomas diferentes – Muitas vezes, os sintomas femininos são atípicos, como fadiga extrema, falta de ar e dor no queixo ou costas, o que dificulta o diagnóstico.

Demora no atendimento – Como os sinais podem ser mais sutis, muitas mulheres não procuram ajuda a tempo.

Fatores hormonais – A menopausa aumenta o risco cardiovascular

devido à queda do estrogênio, que antes ajudava a proteger o coração.

Riscos específicos – Doenças como hipertensão gestacional e

pré-eclâmpsia elevam a chance de problemas cardíacos no futuro.

Fonte: Elzo Mattar, cardiologista

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