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Foco em descoberta de novos vírus

EntrevistaFoco em descoberta de novos vírus
Paula Rahal, professora doutora do Departamento de Ciências Biológicas da Unesp/Ibilce, atua na descoberta de novos vírus

A professora doutora Paula Rahal, do Departamento de Ciências Biológicas da Unesp/Ibilce, é um dos principais nomes da pesquisa em Rio Preto.

Paula é graduada pela Universidade de São Paulo, é pós-doutora e atual Chefe do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além de ocupar o cargo de vice-presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV).

Nascida em Birigui, a professora com ampla experiência no estudo de vírus, sendo um dos principais nomes quando o assunto é Aedes aegypti em Rio Preto, à frente de diversos estudos sobre as doenças causadas pelo inseto.

Discreta a respeito de sua vida pessoal, Rahal fala à Bem-estar sobre ciência, pesquisa e o que mudou para as mulheres acadêmicas nos últimos anos.

Leia a entrevista a seguir:

BE – Por que a senhora optou pela Biologia?

Paula Rahal – Escolhi Biologia porque tive uma professora de Biologia muito boa que me incentivou. E na época conhecíamos muito engenharia genética e eu sonhava em ser engenheira genética e queria muito trabalhar nessa área.

BE – Como acabou enveredando pelo caminho das arboviroses?

Paula Rahal – O estudo das arboviroses é uma coisa mais recente. Eu sempre trabalhei com vírus que causam câncer. Então, eu trabalhei com o papilomavírus humano (HPV), que causa câncer de colo de útero, câncer de pênis, câncer de cabeça e pescoço. Depois trabalhei com hepatite C, que causa câncer de fígado. Quando surgiu o vírus zika, fui estudar arboviroses.

Com a epidemia de zika, houve uma necessidade de que os virologistas trabalhassem para tentar resolver um problema, uma emergência. São os vírus emergentes. Então foi aí que eu comecei a trabalhar com os arbovírus.

BE – Atualmente, em quais campos está centrado o seu trabalho?

Paula Rahal – O trabalho do meu grupo é focado em virologia ambiental, então obtive ambientes, na parte mais de águas, esgotos, águas residuais. E também com os animais, com esses vírus emergentes que podem vir dos animais e, conforme, podem passar para outros animais ou para humanos. Meu foco é descoberta de novos vírus e vírus emergentes e também virologia ambiental. Também temos um foco na parte de antivirais.

Eu acredito que desde a epidemia de zika, passando pela pandemia de Covid-19, os virologistas trabalharam na rede e a virologia avançou no Brasil, em âmbito nacional e internacional.

Esse trabalho em rede é essencial para que as pessoas possam resolver problemas de virologia, surgimento de novos vírus ou daqueles que já existem, mas que podem ressurgir.

Há também aqueles que causam problemas continuamente, como os da dengue.

A gente trabalha em conjunto, cada um resolvendo problemas diferentes e, reunidos, a gente consegue resolver problemas muito maiores, que são essas epidemias ou pandemias.

BE – Qual é hoje seu papel na Sociedade Brasileira de Virologia (SBV)?

Paula Rahal – Atualmente, sou vice-presidente da SBV, que visa levar o conhecimento para a comunidade científica e também para a sociedade sobre questões vinculadas a virologias. Notícias, congressos, oportunidades. Esse é o nosso foco dentro da SBV: esclarecimento para a sociedade como um todo sobre problemas de virologia, epidemias, surgimento de vírus, em âmbito nacional e internacional.

BE – A senhora é um dos maiores nomes da pesquisa na cidade. Como é ser uma mulher expoente na área da ciência?

Paula Rahal – Eu acho que, de um tempo para cá, as mulheres estão ocupando cargos importantes. Agora, temos algum espaço, mas, na verdade, ainda é um espaço muito ocupado pelos homens. Eu posso dar dois exemplos. A Sociedade Brasileira de Virologia, na gestão anterior, a professora Helena Lage (USP) foi a primeira mulher a assumir a presidência da sociedade. Hoje também são duas mulheres que ocupam a presidência e a vice-presidência da sociedade, que é a professora Bethânia e eu como vice-presidente. E a gente tem, na Unesp, a primeira reitora.

BE – A senhora acredita que ainda há um machismo neste meio? Isso vem mudando ao longo dos anos?

Paula Rahal – Tanto na ciência quanto na sociedade sempre houve machismo e agora a gente começa a ocupar cargos de liderança. Que isso não seja momentâneo, que as pessoas possam ocupar sempre esse espaço de forma igualitária.

O machismo na ciência, a gente vê pelo número de projetos aprovados. A maioria das aprovações tende a favorecer os homens em detrimento das mulheres. Mas, recentemente, esse cenário vem mudando. Essa é uma luta que vem há muitos anos.

BE – Qual seria seu conselho para uma jovem pesquisadora que está em busca de seu espaço?

Paula Rahal – É imprescindível que as novas gerações mantenham viva a luta contra o machismo, especialmente em campos como a ciência, onde a desigualdade de gênero ainda persiste. É fundamental que as mulheres ocupem cargos de liderança e que sua competência seja reconhecida, demonstrando que não há lacunas de capacidade com base no gênero. A luta diária por igualdade deve ser um compromisso coletivo, assegurando que todos tenham as mesmas oportunidades de contribuir e brilhar em suas respectivas áreas.

Eu também acho que a gente tem que ser parceira. Nós, os jovens cientistas, ou as mulheres do samba, que são parceiras, a gente tem que estar unida para conquistar esses espaços que eram exclusivamente dos homens. Então, essa união é extremamente importante para a nossa luta.

BE – Como conciliar uma rotina intensa de pesquisas com a vida pessoal?

Paula Rahal – Acho que é uma questão muito de organização. A gente tem que se organizar e ir encaixando, para sobrar espaço, tanto para o lado profissional quanto para o lado pessoal. Então, a gente tem que dividir e se organizar bem e ser disciplinado para tentar conciliar a casa, a mulher, a pessoa, o ser humano Paula.

E também temos que ter parceiros para conciliar essas duas coisas. Pessoas que podem estar juntas com você nessa caminhada, tanto profissionais quanto pessoais, que você considera apoio, que você incentiva, que você motiva. Essas parcerias, independentemente de qualquer outra coisa, são importantes. São aquelas pessoas que dividem as questões pessoais e profissionais, que incentivam e firmam verdadeiras parcerias.

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