TRANSFORMAÇÃO CULTURAL
Transformar uma organização é um desafio complexo, mas essencial para que empresas prosperem em um cenário de rápidas mudanças. Muitas vezes, a transformação é vista apenas no nível de processos, tecnologia ou estrutura, esquecendo-se do elemento mais importante: o SER humano. Afinal, são os valores, crenças e comportamentos das pessoas que moldam a cultura de qualquer organização. E é a partir desse ponto que começa a verdadeira transformação cultural.
Em um bate-papo com Silvia Abreu, especialista em cultura organizacional, discutimos um conceito importante chamado esquizofrenia organizacional, que ocorre quando empresas insistem em repetir as mesmas práticas esperando resultados diferentes. Isso acontece porque não há clareza do que é essencial: alinhar o SER, o FAZER e o TER. Em outras palavras, é impossível obter resultados sustentáveis (TER) se as ações e decisões (FAZER) não estiverem conectadas com os valores, crenças e significados que orientam as pessoas (SER).
A gestão cultural, portanto, é um processo de coerência. A cultura é formada por mensagens que as pessoas recebem sobre o que é valorizado. Essas mensagens vêm de três fontes principais: os comportamentos da liderança, os símbolos visíveis (como a forma de uso do tempo e dos recursos) e os sistemas que orientam a performance, a remuneração e o reconhecimento. Se uma organização deseja transformar sua cultura, ela precisa garantir que essas mensagens estejam alinhadas e transmitam os valores desejados.
Esse alinhamento começa no SER. Cuidar do SER significa olhar para as dimensões humanas que sustentam as ações e os resultados. Quando líderes e equipes estão conectados com seus valores e significados, eles são capazes de tomar decisões mais conscientes, sair da zona de conforto e impulsionar as mudanças necessárias. É por isso que focar apenas no FAZER – nos processos e metas – sem cuidar do SER é um erro comum que impede a transformação de se sustentar no longo prazo.
O movimento Inner Development Goals (IDG) traz uma abordagem prática para esse desafio. Com base em cinco dimensões e vinte e três habilidades internas, ele mostra que o desenvolvimento humano é o caminho para resultados duradouros. Entre essas habilidades, estão a autoliderança, a resiliência e a presença, qualidades que permitem aos líderes atuar com clareza e equilíbrio diante das complexidades organizacionais.
Portanto, transformar a cultura de uma organização não é um exercício de curto prazo, mas um processo contínuo de cuidar do SER para que o FAZER tenha impacto e o TER seja sustentável. Resultados reais e duradouros começam de dentro para fora, porque a cultura é, acima de tudo, um reflexo das pessoas que a compõem. Se queremos transformação, precisamos começar pelo ser humano. É algo óbvio, eu sei. Mas vale sempre a pena reforçar o mantra de que gênio é aquele que faz o óbvio. Muitas vezes a pressão pelos resultados acaba dificultando essa clareza na estratégia. É por isso que os pilares da cultura inovadora humanizada nos auxiliam trazendo mais clareza para a gestão da cultura e construção dos alinhamentos entre o SER, o FAZER e o TER. Que possamos aproveitar a oportunidade de um novo ano para reforçarmos nosso foco no SER nos planos de ação da nossa estratégia para que os resultados de 2025 sejam ainda mais incríveis. Que possamos estar juntos por aqui por mais um ano para fazermos do ano que vem um ano de ainda mais amor e sucesso em nossas vidas.