Autocuidado na Liderança
Todo líder é responsável por cuidar da sua equipe e a nova legislação sobre saúde mental trará ainda mais responsabilidades a esse respeito. Mas o que nem todo líder se lembra é que o autocuidado é sempre o primeiro passo para podermos cuidar de quem quer que seja. Se não buscarmos nosso próprio equilíbrio na vida para nos sentirmos bem, felizes e realizados, dificilmente cuidaremos cuidar de uma equipe que se sinta bem, feliz e realizada. Portanto, se você ainda não tem uma rotina de autocuidado, minha sugestão é que coloque na sua agenda assim como os outros compromissos.
No último encontro da comunidade do Reinvente, recebi a especialista Eliane Coelho para refletirmos sobre esse assunto. E ela nos apresentou uma forma muito simples de autocuidado que passa pela nossa reconexão com os quatro elementos da natureza para o desenvolvimento de uma liderança mais consciente e sustentável. Essa abordagem reforça a importância do autocuidado para que possamos inspirar e transformar os ambientes em que atuamos.
O primeiro elemento, Fogo, representa a energia da ação e da inspiração. Líderes com essa característica costumam ter iniciativa e alta capacidade de motivação, mas, sem equilíbrio, podem agir impulsivamente e gerar conflitos. No contexto da cultura inovadora humanizada, é essencial que esse entusiasmo seja canalizado de forma estratégica, criando um ambiente de estímulo à criatividade sem comprometer a harmonia da equipe. Para nos conectarmos com esse elemento no dia a dia, basta termos alguns minutos ao sol, sentindo na pele o seu calor.
Já o Elemento Água nos ensina sobre fluidez e conexão emocional. Um líder que compreende suas próprias emoções e as dos outros pode construir relações mais empáticas e fortalecer a cultura de pertencimento dentro da organização. No entanto, o excesso dessa característica pode levar à falta de objetividade na tomada de decisões. A hidratação é uma das formas mais fáceis de incluir esse cuidado na rotina e, por mais simples que pareça, é comum vermos profissionais que não fazem a ingestão mínima de água necessária por dia.
O Ar traz a importância da comunicação e da adaptabilidade. Em uma cultura inovadora humanizada, a transparência e a troca de ideias são fundamentais para que a equipe se sinta envolvida nos processos. Um líder que domina esse elemento sabe ouvir, negociar e criar pontes entre diferentes perspectivas. Porém, sem direcionamento, o excesso de ideias pode levar à dispersão e falta de foco nos objetivos estratégicos da organização. E aqui um exemplo prático de autocuidado é a respiração. Uma prática diária de apenas 10 minutos de mindfulness pode ter um grande impacto na regulação deste elemento. Quanto mais atento estivermos à nossa própria respiração, mais conscientes estaremos dos nossos atos.
Por fim, o Elemento Terra remete à base, estrutura e segurança. Todo líder precisa construir alicerces sólidos para que a inovação aconteça de maneira sustentável. A cultura inovadora humanizada não se baseia apenas em ideias disruptivas, mas em processos bem estruturados que garantam a continuidade e a escalabilidade das iniciativas. No entanto, um apego excessivo à estabilidade pode inibir mudanças necessárias para o crescimento. Caminhar descalço na grama ou na terra, ou manusear a terra do vaso das plantas é uma forma simples de se conectar com esse elemento no dia a dia.
Todos nós por pertencermos à natureza temos conexão com todos os quatro elementos. Podemos ter um que seja dominante em nosso perfil, mas equilíbrio entre esses elementos é o que pode trazer um maior impacto para a sua liderança. Para promover uma cultura inovadora humanizada na prática, é essencial investir no autoconhecimento, reconhecer os próprios desafios e cultivar um ambiente que valorize tanto a inovação quanto o bem-estar. Afinal, líderes que se cuidam lideram melhor.