Tamanho da fonte

Inclusão Total e Educação Inclusiva

ArtigoInclusão Total e Educação Inclusiva

Existem dois movimentos distintos quando se pensa na inclusão escolar de pessoas com deficiência: a Inclusão Total e a Educação Inclusiva.

O movimento pela inclusão começou a ganhar força entre 1960 e 1970, como parte dos movimentos pelos direitos civis e pela igualdade. Entre 1980 e 1990, este conceito passou a defender a participação plena de todos os alunos nas escolas regulares, independentemente de suas condições.

Toda essa movimentação deu visibilidade a um público antes ignorado. As ações pelos direitos das pessoas com deficiência trouxeram à tona a importância de sua inclusão na sociedade. Leis foram criadas e uma cultura mais inclusiva passou a ser disseminada. Contudo, a Inclusão Total entrou na Educação de forma radical, fundamentada em ideologias sociais que combinavam com os interesses políticos de se investir pouco na área.

A Inclusão Total rejeitava as escolas especializadas, e muitas foram fechadas. Todas as crianças deveriam estar na escola regular, e isso ainda hoje é quase uma imposição, mesmo que a LDB 9394/96, em seu artigo 58, afirme que esses alunos devam estar preferencialmente (e não obrigatoriamente) matriculados na rede regular de ensino.

Essa ideologia rompeu abruptamente com o que era a Educação Especial até então e, sem preparo, sem esclarecimento e sem formação, colocou professores, famílias e alunos em uma verdadeira Torre de Babel. No entanto, havia, e ainda persiste entre os ativistas, o entendimento de que alunos com e sem deficiências são iguais e qualquer apoio ou adaptação curricular é uma exclusão. A socialização era a prioridade, e a escola especializada passou a ser vista praticamente como um sanatório.

Nos últimos anos, ganha destaque a Educação Inclusiva, que prioriza as singularidades dos alunos, e não uma ideologia. Nesse conceito, a Educação deve oferecer apoios para que os alunos tenham igualdade de oportunidades. A Educação Inclusiva entende a necessidade da existência de variadas modalidades de ensino: regular, especializado, domiciliar e tantas quantas forem necessárias para atender às especificidades de cada aluno. Além disso, a Educação Inclusiva defende a formação dos professores e a aplicação de métodos e estratégias com evidências científicas. O aprendizado e o desenvolvimento são a razão da existência da escola, e a socialização é a consequência do convívio entre pessoas. A escola especializada é uma possibilidade valiosa de ensino para alunos com necessidades de cuidados pervasivos.

A Inclusão Total é prerrogativa do MEC e do CNE e, embora essa ideia tenha sido aplicada e extinta em países desenvolvidos exatamente por não apresentar resultados efetivos, o Brasil ainda insiste nela. Em 2020, o Decreto 10.502, que tratava da nova Política Nacional da Educação Especial, trazia a proposta da real Educação Inclusiva, mas a polarização política fez com que o decreto fosse suspenso e revogado sob a alegação de retrocesso e segregação.

Infelizmente, por trás da cortina de fumaça dos discursos sobre amor e empatia, estão crianças e jovens com deficiência esperando por inclusão.

Sem publicações!

Publicações somente aos domingos

Publicações

Não encontramos resultados para sua busca.

Revista digital