Alopecia androgenética
Nos últimos anos, a alopecia androgenética, popularmente conhecida como calvície, tem estado sob os holofotes. A condição ganhou maior visibilidade e conscientização após celebridades compartilharem suas experiências publicamente, como a apresentadora Xuxa Meneghel e a cantora Maiara, da dupla Maiara & Maraísa, sua irmã gêmea e companheira de palco, é diagnosticada com a condição desde 2021. A lista de famosas que enfrentam a perda de cabelo também inclui a atriz Deborah Secco, a ex-BBB Juliette e a cantora e dançarina Gretchen.
O fenômeno pode acometer pessoas de qualquer idade, além de afetar, de formas diferentes, tanto homens quanto mulheres, embora seja mais frequente na população masculina. “Até 80% dos homens e 50% das mulheres podem apresentar a doença durante a sua vida. As primeiras manifestações geralmente acontecem no final da adolescência e início da idade adulta”, destaca o dermatologista Omar Algazal.
Um dos principais sinais de alerta é o afinamento gradual dos fios. “Nos homens, a perda capilar costuma iniciar nas entradas e no topo da cabeça, enquanto, nas mulheres, geralmente ocorre após os 30 anos, apresentando um padrão mais difuso de afinamento capilar, principalmente no topo da cabeça”, explica a dermatologista Regislaine Miquelin.
De acordo com a especialista, a principal causa é a predisposição genética, que faz com que os folículos capilares sejam sensíveis à dihidrotestosterona (DHT), um hormônio derivado da testosterona. Como consequência, os fios vão se tornando progressivamente mais finos e fracos, e, nos estágios mais avançados, os folículos passam por um processo de miniaturização, resultando na queda de cabelo.
“Em mulheres, a condição costuma ser mais evidente após os 40 anos, especialmente no período da menopausa, devido às alterações hormonais. Fatores como estresse, má alimentação, doenças hormonais e uso excessivo de produtos químicos capilares podem acelerar o processo da queda, embora não sejam a causa primária da condição”, complementa a dermatologista Kathia Reys. Ela explica que a doença não tem cura por ser uma condição genética e progressiva. No entanto, com tratamento adequado e precoce, é possível controlar a queda capilar e estimular o crescimento dos fios, evitando a progressão acelerada da calvície.
O diagnóstico é realizado por um dermatologista com base no histórico do paciente e na avaliação clínica. “Exames complementares como dermatoscopia capilar, tricoscopia e biópsia do couro cabeludo podem ser necessários para auxiliar o diagnóstico e descartar outras condições associadas à queda de cabelo”, pontua a dermatologista Viviane Frange. “Em alguns casos, exames laboratoriais são solicitados para descartar outras causas de queda capilar, como disfunções hormonais e deficiências nutricionais”, acrescenta Regislaine.
Atualmente, existem várias opções de tratamento disponíveis com o objetivo de evitar a progressão da alopecia androgenética. A dermatologista Viviane Frange explica que o tratamento envolve o uso de estimulantes do crescimento dos fios, como o minoxidil, um vasodilatador que pode ser administrado de forma tópica ou oral, além de bloqueadores hormonais, que são medicamentos administrados via oral. Entre esses, destacam-se a finasterida e a dutasterida, indicados no tratamento dos homens, e os anticoncepcionais, espironolactona, ciproterona e a própria finasterida, que podem ser utilizados no tratamento das mulheres. “Em casos mais avançados, um transplante capilar pode ser uma opção para melhorar o aspecto estético”, destaca.
Segundo a especialista, as opções não farmacológicas incluem o uso da terapia a laser de baixa intensidade (LLLT), que utiliza lasers ou LEDs para estimular os folículos capilares e promover o crescimento do cabelo, e técnicas como a mesoterapia ou intradermoterapia, que consiste na infusão de uma mistura de ativos farmacêuticos em doses diluídas por via intradérmica.
“Outras alternativas são a microinfusão de medicamentos na pele (MMP), que utiliza microagulhas estéreis para realizar punçõa doençaes cutâneas repetitivas, formando microcanais na pele a fim de estimular os fatores de crescimento e injetar medicamentos diretamente na derme, e a terapia regenerativa capilar, realizada com a aplicação de exossomos no couro cabeludo, promovendo a regeneração dos folículos capilares, estimulando o crescimento de novos fios e fortalecendo os existentes”, pontua Viviane.