Este artigo marca o aniversário de 3 anos desta coluna! Quero aproveitar para agradecer a todos os que acompanham semanalmente os artigos e fazem com que possamos ter completado mais um ano juntos aqui! E prestar um agradecimento muito especial ao Diário da Região, que viabiliza esta oportunidade! É uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, um grande prazer, poder estar aqui semanalmente buscando contribuir com a vida de cada um de vocês a partir das reflexões dos artigos para uma jornada profissional conectada ao nosso propósito de vida.
E, para celebrar este marco, trago um tema que tem sido o eixo central deste ano, que é agirmos com propósito para resultados de alta performance. Hoje vamos aprofundar alguns pontos importantes para darmos conta de estarmos bem e aptos a mantermos uma performance sustentável que se alicerce no nosso propósito de vida. Para isso, recebi Renan Araújo, que é mentor de empresários e líderes, para um bate-papo na Comunidade Reinvente. O mais interessante é que o Renan tem background em engenharia, e isso transparece na forma como ele pensa o ser humano. Ele tem uma metáfora muito semelhante à que utilizo dos pilares para a sustentação da cultura, comparando o líder a uma infraestrutura invisível que, se não estiver com manutenção constante, colapsa. Portanto, vamos ver alguns pontos importantes para cuidarmos bem deste pilar.
Renan nos apresentou o conceito de carga alostática, que é o custo biológico acumulado do estresse crônico sobre o organismo. O estresse crônico provoca atrofia cognitiva real, aumenta o risco cardíaco e compromete progressivamente a função executiva. Em outras palavras: o ativo mais caro que um líder possui, que é a sua capacidade de tomar decisões de alto nível, é exatamente o que está sendo corroído silenciosamente quando ele opera no limite de forma sistemática. O pensamento acelerado à noite, a fadiga decisória, a dependência crescente de estimulantes para funcionar são sinais de alarme de um sistema operando além da sua capacidade de regeneração.
Não há propósito sustentável sem um ser humano sustentável por trás dele. Já discutimos aqui, no artigo sobre O Descanso com Propósito, que a pausa não é o oposto da performance, mas é parte integrante dela. Renan chegou para aprofundar essa compreensão com a linguagem da neurociência. O córtex pré-frontal, responsável pelo pensamento estratégico, pela empatia e pela tomada de decisão complexa, é sequestrado pela amígdala nos momentos de estresse elevado. O resultado prático é que o líder que opera cronicamente sob pressão não está apenas cansado. Está tomando decisões com um cérebro que não tem acesso pleno às suas próprias capacidades superiores.
As três práticas que Renan apresentou como ponto de partida são, como ele mesmo disse, o arroz com feijão da alta performance: protocolos de reset do sistema nervoso de dez a vinte minutos ao longo do dia, regulação do ciclo circadiano com exposição intencional à luz natural, e ciclos de foco de noventa minutos seguidos de descompressão real. Nada disso é novo. A maioria das pessoas já sabe. E é exatamente aí que mora o desafio, pois o problema não é a falta de informação, mas a resistência dos nossos próprios modelos mentais em aceitar que cuidar de si mesmo é parte do trabalho, e não uma concessão ao trabalho.
Que possamos ter essa coragem de fazermos pequenas mudanças para que nossa performance seja sustentável e mantenha, por conta disso, a sua força pela conexão com o propósito em uma liderança que também inspira pelo bem-estar.
