Ter me dedicado a trabalhar um olhar mais aprofundado para a cultura organizacional da CCLi Consultoria Linguística nesse desafio de fazer nossa expansão como uma EdTech Global de Idiomas tem me ajudado muito a aprimorar minhas próprias habilidades de liderança. Vejo que cada vez mais a cultura será o maior diferencial que as empresas poderão ter dada a facilidade e velocidade de podermos ter acesso à tecnologia que, em muitos casos, deixa de ser um verdadeiro diferencial já que está disponível para todos os concorrentes em dado segmento. Para a tecnologia ser um verdadeiro diferencial competitivo, é necessário que a cultura possa habilitar essa visão na execução da estratégia. E por isso se tornou célebre a frase de Peter Drucker em que diz que “a cultura devora a estratégia no café da manhã”.
Liderar está sem dúvida cada vez mais desafiador! E não adianta. Liderando da mesma forma que sempre lideramos não vamos mais conseguir atingir os resultados de crescimento que necessitamos. Uma das perguntas que mais tenho ouvido de vários líderes é justamente “como cuidar das pessoas sem que percamos performance?”. É como se uma coisa excluísse a outra, como se tivéssemos que escolher entre uma cultura de performance ou uma cultura de cuidado. Nessas situações, vivo relembrando a palestra da Adriana Neves em que ela fala da era do “e” e não do “ou”. O verdadeiro desafio é como integramos o cuidado na nossa cultura justamente para darmos conta de mantermos a cultura de performance.
Recentemente, recebi a especialista em liderança integrativa, Camila Volpe, para um bate-papo na comunidade Reinvente, justamente por ser um tema que traduz esse novo papel do líder como um ser humano integral no exercício da liderança. Camila compartilhou reflexões inspiradas em sua recente imersão na Grécia, onde percebeu como os filósofos viam o ser humano como parte inseparável do todo. Na visão dela, e na minha também, não existe “eu e a organização”, mas “eu como parte da organização”. Essa é a base da visão de uma cultura inovadora humanizada, inclusive, e o que sustenta a visão de termos a cultura como estratégia, inclusive. Quando olhamos para o ecossistema humano em uma organização como um bioma com múltiplas influências, ritmos, histórias e necessidades, conseguimos compreender porque nossas relações profissionais moldam tanto nosso funcionamento emocional, cognitivo e social.
Liderar de forma integrativa é reconhecer que cada colaborador carrega camadas que vão muito além do cargo. Em vez de colocar as pessoas em caixinhas, uma liderança integrativa convida o líder a investigar o que está por trás do determinado comportamento e a estimular um diálogo franco com seus liderados, pautando-se pela autorresponsabilidade. A liderança integrativa integra na prática as dimensões do pensar, do sentir e do agir, lidando com o ser humano na sua integralidade. É um tanto complexo, mas não temos mais como desconsiderar o papel das emoções na nossa performance. E se quisermos uma cultura de performance e de cuidado, precisamos integrar a dimensão da liderança emocional também.
Sem conexão emocional, não há pertencimento, não há engajamento, não há, portanto, desempenho de alta performance. Quando as pessoas se sentem cuidadas, reconhecidas e compreendidas, elas criam, inovam e colaboram. E isso exige um olhar integral. Fecho este artigo retomando uma frase marcante que a Camila trouxe: viver é conviver. Liderar é aprender a conduzir esse encontro entre diferentes histórias, forças, vulnerabilidades e ritmos. Uma cultura inovadora humanizada se fortalece com a capacidade de integrar o que é diverso para criar o que é novo. Se queremos lideranças mais fortes, precisamos antes construir relações mais humanas para integrarmos cuidado e desempenho à cultura da organização.
