Muitas vezes quando falo sobre cultura inovadora humanizada há uma certa romantização no ar já que ela realmente gera frutos muito positivos que todos queremos ver no mundo corporativo e que não estão facilmente disponíveis por aí. Por outro lado, sabemos, até mesmo pelo esporte, que qualquer time campeão depende de consistência nos resultados. Um time unido e engajado com o campeonato certamente terá mais chances de se tornar vitorioso do que um time com rivalidades internas e busca por estrelismo.
Então não seria muito difícil entender que uma das formas de se gerar resultados consistentes é ter como foco da estratégia corporativa o fortalecimento contínuo dos pilares da sua própria cultura. Com tantas mudanças no contexto externo sobre as quais não temos qualquer controle, olhar para os pilares internos e mantê-los firmes e preparados para lidar com as mudanças externas é uma questão até um pouco óbvia. Mas como é o gênio quem faz o óbvio, ainda temos muita dificuldade em ter a cultura dentro da dimensão estratégica da maioria das empresas.
O mais interessante é que sabemos que um dos maiores desafios da maioria das empresas está justamente nas metas de vendas e nos desafios constantes de manter o crescimento da empresa no mercado. Na maioria das estratégias comerciais, o mercado é um fator externo ao qual as empresas reagem para manter os seus resultados. No último artigo, trago a importância o “e” para a estratégia integrando propósito com resultados. E neste artigo vou trazer alguns insights do bate-papo que tive com o especialista em marketing, Fábio Tambosi, na comunidade Reinvente sobre a estratégia comercial de desenvolver comunidades de fãs nas empresas.
Fábio inicia justamente contextualizando esse cenário externo em que estamos e que batizou de “Era da Indiferença”: somos bombardeados por estímulos, informações e demandas o tempo todo. Por isso, nossa atenção virou tempo e nosso tempo tem sido disputado por todos neste mesmo mercado. É importante lembrarmos, inclusive, que nosso tempo é o ativo mais valioso que podemos oferecer para qualquer pessoa, pois é nosso tempo de vida. Essa realidade exige que busquemos alternativas na forma que lideramos a execução das metas já que não é um cenário igual ao que vivíamos antes. O primeiro passo é gerar pertencimento e é aqui que a força da cultura ajuda no desafio de capturar a atenção no mercado.
A lógica que Fábio nos apresenta é desenvolver esse pertencimento também com os clientes a ponto de se tornarem fãs da marca. Ao atingir esse nível, uma marca deixa de operar apenas nas camadas básicas da lógica transacional e passa a ocupar um espaço simbólico na vida do cliente. Essa lógica se conecta diretamente com a cultura organizacional. Empresas que constroem vínculos verdadeiros deixam de depender exclusivamente de incentivos externos, pois as pessoas passam a agir porque acreditam, não apenas porque precisam.
E precisa ser de verdade já que as pessoas não se conectam com discursos genéricos, mas com o que sentem ser um propósito verdadeiro. A congruência e a coerência passam a ter um papel chave para essa conexão. O primeiro passo é ter clareza de identidade: quem somos, por que existimos e para quem geramos valor? O segundo, é favorecer a conexão emocional gerando o vínculo que conecta as pessoas a esse propósito. E aí, sim, a execução acontece de forma consistente. E quando as pessoas se sentem vistas, ouvidas e parte de algo maior, elas se tornam embaixadoras naturais da marca.
Para quem quiser mergulhar neste universo de conectar o propósito da marca com uma comunidade de fãs, recomendo a leitura do livro FANDOM: como transformar clientes em fãs que impulsionam a sua marca recentemente publicado em português e escrito pelo Fábio com base na sua experiência prática de vida ajudando as empresas a lidarem com esse desafio.
