Como já compartilhei aqui com vocês, tenho o desafio neste ano de trazer a execução para o foco do meu próprio processo de aprendizagem e desenvolvimento como líder. Mas vale ressaltar que não se trata simplesmente de aprofundar o olhar para o agir, mas especialmente em como esse aprofundamento me permite conectar ainda mais a ação com o propósito reforçando o alinhamento dos pilares da cultura inovadora humanizada e conquistando resultados ainda mais extraordinários sem que seja necessário ainda mais esforço para isso.
Nos poucos dias deste desafio neste início de ano, me deparei com uma profunda reflexão sobre a postura da liderança, pois a conclusão que chego é de que não existe execução com propósito sem que haja muita humildade na liderança. E entendo humildade aqui não como fragilidade, mas como maturidade, como consciência clara de que resultados sustentáveis não nascem do ego do líder, e sim da coerência entre intenção, prática e impacto real no sistema. Humildade para observar os próprios pensamentos e sentimentos na liderança perante às ações que o líder precisará executar com o mesmo nível de comprometimento com o propósito que busca inspirar sua equipe.
Quando falamos em execução, ainda é comum associá-la a controle, cobrança e pressão por entregas. Esse modelo até produz resultados no curto prazo, mas cobra um preço alto: desgaste humano, quebra de vínculos e perda do sentido que conecta com o verdadeiro propósito de tudo que fazemos. Lideranças inovadoras humanizadas começam a compreender que executar não é apertar pessoas, mas alinhar sistemas. E esse alinhamento exige humildade para reconhecer que nem tudo passa pelo líder, que não se sabe tudo e que ouvir é tão estratégico quanto decidir.
O comentário que recebi do líder e conselheiro André Costa sobre um artigo anterior toca num ponto essencial: quando a execução deixa de ser tarefa mecânica e passa a ser entendimento de impacto no propósito, o jogo muda. E para esse jogo realmente mudar, é necessário que o líder tenha a humildade de sair do lugar de quem apenas cobra e assuma o papel de quem constrói clareza e apoia a execução da sua equipe. Clareza sobre o porquê das tarefas, sobre como os processos se conectam ao propósito e sobre o impacto real de cada entrega nos resultados. Agir com propósito é, antes de tudo, compreender profundamente o sistema que se lidera.
Na prática da nossa cultura inovadora humanizada, percebo que líderes humildes fazem perguntas melhores. Eles não partem do pressuposto de que o problema está sempre na execução das pessoas, mas investigam se há incoerências nos processos, ruídos de comunicação ou metas desconectadas da realidade. Um líder humilde não terceiriza a culpa; ele assume responsabilidade pelo contexto que ajudou a criar. E isso gera algo poderoso: segurança psicológica para que as pessoas também assumam responsabilidade.
Humildade também se manifesta na capacidade de revisar rotinas. Quantas tarefas continuam existindo apenas porque “sempre foi assim”? É importante humildade para eliminar processos que já não fazem sentido, mesmo que tenham sido criados pelo próprio líder no passado. O foco deixa de ser fazer tudo a qualquer custo e passa a ser em escolher fazer o que realmente importa, ou seja, não se trata necessariamente de fazer mais, mas de fazer melhor.
Abrir o ano falando de execução com propósito é, portanto, um convite a uma liderança mais consciente e mais humilde perante os desafios. E reforço que a humildade verdadeira permite nos apropriarmos com firmeza de tudo o que já conquistamos e evoluírmos enquanto organização, ao mesmo tempo em que nos abre espaço para buscar patamares ainda mais elevados no nosso desenvolvimento com muito mais leveza, mantendo a conexão com o propósito como norte deste desafio. É a humildade do líder que lhe permite conectar propósito, pessoas, processos e resultados de forma coerente. Que este ano nos desafie menos a provar valor e mais a gerar impacto, pois liderar bem é saber que o resultado não é sobre nós, mas sobre a cultura que ajudamos a construir juntos.
Daniel Rodrigues
Fundador da CCLi Consultoria Linguística, Empreendedor, Mentor e Palestrante daniel.rodrigues@cclinet.com.br
