No último artigo falamos sobre a importância de termos consciência e método para liderarmos nossas equipes a agirem com propósito. A clareza do que é mais importante de ser feito é sempre fundamental para termos mais resultados com menos esforço. Mas está cada vez mais difícil conseguirmos ter essa clareza nas nossas vidas dada a velocidade da comunicação que faz com que muitas coisas diferentes passem ao mesmo tempo por todos nós. Muitas vezes nos dedicamos a refinar a estratégia, definir metas e processos claros, e, mesmo assim, seguimos enfrentando desafios de estruturarmos resultados consistentes. Acredito que não seja o único a lidar com esse desafio na liderança hoje.
Quem me acompanha já conhece meu bordão do “Poder das Conexões”. É um elemento que faz parte de toda a minha trajetória profissional e que habilita o trabalho que fazemos com nossa equipe e nossos alunos na CCLi, inclusive. E vejo o quanto se torna cada vez mais relevante investirmos em criar conexões verdadeiras com nossas equipes e nossos clientes, justamente pelo cenário que descrevi no parágrafo anterior. Sem conexão, dificilmente teremos engajamento. E, sem engajamento, não existe resultado. Para o método do mínimo esforço funcionar, precisamos estar engajados no método. E, para ajudar nesse desafio, bati um papo com o educador Max Franco sobre o poder de contarmos histórias para gerarmos conexões genuínas.
Max inicia o nosso bate-papo com uma explicação muito interessante. Ele diz que “convencer” não significa vencer o outro, mas sim, vencer com o outro. Portanto, a forma como nos comunicamos será essencial para conseguirmos vender mais, liderar melhor, dar uma aula melhor, etc. A escolha das palavras, muitas vezes subestimada, carrega um peso importante, pois, cada palavra traz consigo uma história, um significado e uma emoção. O exemplo que ele dá é que falamos “dar um tapa na cara” e “dar um beijo no rosto” e não “dar um tapa no rosto” ou “um beijo na cara”. E é exatamente aí que contar histórias se torna uma ferramenta estratégica para quem deseja engajar pessoas em torno de um propósito.
Histórias capturam atenção porque têm sabor e conectam emoção, contexto e aprendizado, diferentemente de um discurso técnico. Desde Platão, com o Mito da Caverna, até os grandes educadores contemporâneos, a narrativa sempre foi utilizada como forma de explicar o mundo e transmitir valores. Não é por acaso que lembramos mais de histórias do que de dados, pois as histórias nos envolvem e, acima de tudo, nos transformam. Num cenário tão escasso de atenção como comentamos, as histórias têm o poder de conseguir capturar a atenção da equipe e dos clientes.
Para funcionar estrategicamente, Max nos chama a atenção para algo importante, pois não basta contar qualquer história para conseguir a atenção que queremos. É preciso contar histórias verdadeiras, baseadas em fatos reais e coerentes com a prática da cultura. Quando há desalinhamento entre discurso e ação, o efeito é o oposto, pois gera desconfiança e desgaste. E falamos sobre isso no artigo “Walk the Talk” também. Por isso, em uma cultura inovadora humanizada, essa coerência deve ser inegociável. Não basta comunicar valores; é preciso vivê-los no dia a dia, justamente para termos histórias para contar.
Para finalizar, sabemos que, para liderar, precisamos nos comunicar bem e contarmos histórias, mas o fundamental mesmo é sabermos viver na pele histórias que mereçam ser contadas. Porque, para fortalecer qualquer cultura, apenas falar e contar histórias não é suficiente. É preciso viver, na prática, histórias que façam sentido, gerem conexão e conduzam a resultados com propósito da empresa.
