Ao longo dos últimos artigos, venho discutindo sobre a importância de integrarmos a execução com foco em resultado ao propósito que temos para agir. O lema “Agir com Propósito” nos ajuda a aprofundar temas que podem contribuir para mais resultados e mais felicidade na equipe, pois quando a execução está diretamente conectada com o propósito, é isso o que acontece. E num mundo acelerado como o que vivemos, é cada vez mais comum confundirmos agir com agilidade com agir com pressa. É cada vez mais comum associar uma boa execução à rapidez, mas esta mentalidade pode levar a uma cobrança excessiva e ao aumento de pressão sobre as pessoas.
Sempre que penso neste tema, me lembro do especialista Paulo Botelho e, por isso, o recebi novamente na Comunidade Reinvente para uma discussão sobre Agilidade com Propósito. E ele reforça que agilidade não é velocidade. E nos explica a diferença entre uma e outra. A velocidade funciona bem em cenários previsíveis, com processos claros e parâmetros estáveis e a agilidade se manifesta exatamente nos contextos complexos, ambíguos e humanos que caracterizam a realidade das organizações atuais. É justamente por isso que agir com agilidade exige mais da liderança, pois é preciso fazer uma boa leitura de contexto antes de começar a agir e de ter capacidade de adaptação e de tomar decisões conscientes. Como destacou Paulo Botelho, velocidade sem direção pode até gerar movimento, mas dificilmente gera resultado sustentável. A cultura inovadora humanizada parte justamente dessa premissa: não basta fazer mais ou mais rápido apenas; é preciso agir com propósito.
Quando propósito, identidade e pertencimento estão claros, a execução ganha muito em qualidade. As pessoas deixam de apenas cumprir tarefas e passam a compreender o impacto do que fazem no todo, reduzindo desperdícios, evitando retrabalho e fortalecendo o engajamento da equipe. É algo básico que, pela correria de hoje, a liderança acaba muitas vezes negligenciando, pois dá mais trabalho fazermos uma pausa, respirar, analisar o cenário com clareza para depois tomar as decisões e agir.
É por isso que o papel da liderança também se transforma, pois liderar com propósito neste contexto de agilidade não é controlar, mas criar condições para que as pessoas decidam bem. Isso envolve segurança psicológica, autonomia e aprendizado contínuo. E garanto que é muito poderoso quando isso acontece na prática. Há pouco menos de um ano enfrentamos um grande desafio na equipe de atendimento que me fez viver na pele tudo isso, pois houve um pico de demanda inesperado que trouxe uma urgência para fazer tudo mais rápido. Essa urgência da velocidade fez com que houvesse uma desconexão com o propósito e a consequência foi uma queda de resultados, apesar da expressiva alta de demanda. Quando percebemos a aceleração e nos permitimos pausar, respirar e olhar o cenário como um todo, organizamos as prioridades e trazemos o propósito como foco. E magicamente os resultados se tornam ainda mais incríveis do que antes. Meu papel como líder foi apenas estar atento e convidar a equipe para a pausa e análise, pois o resto foi mérito de todos que deram ideias e fizeram ajustes pontuais. E nasce neste momento um novo ritual diário de conexão com propósito e aprendizado do dia que mantém essa força desde então viva em todos.
Agilidade com propósito pede, portanto, coragem para revisar rotinas que perderam sentido. Muitos processos continuam existindo apenas por inércia, consumindo energia sem gerar impacto. Liderar com propósito é saber fazer menos, com mais consciência e melhor resultado, pois executar bem nem sempre demanda criar algo novo; muitas vezes basta aprimorar o que já existe, alinhando a ação com o propósito da organização. Agir com propósito é compreender que resultados extraordinários não nascem da pressa, mas da coerência das ações.
