Já comentei em outros artigos neste ano que nunca imaginaria que seria tão desafiadora para mim esta jornada de aprendizagem da integração do pilar de resultados em um contexto de expansão mais acelerada com o nosso agir com propósito! Como atingir resultados cada vez mais desafiadores, sendo verdadeiramente impulsionados pela força do propósito na cultura, é um desafio real, mesmo em uma cultura inovadora e humanizada. A mentalidade mais comum ainda é a do “ou” e não a do “e. Ou a cultura é humanizada, ou ela é de alta performance. Mas o agir com propósito realmente me convidou a entender vários desafios da integração de uma cultura humanizada e de alta performance.
Outro fator importante a se considerar é que a complexidade sempre aumenta à medida que uma empresa aumenta seus resultados. Mais clientes, mais pessoas na equipe, mais responsabilidades tornam, em geral, o ambiente mais complexo. E muitas vezes o desafio não está em seguir atendendo à complexidade que aumenta, mas sim em entender o que é básico e mais estruturante por trás dos problemas gerados pela própria complexidade. Os pilares da cultura inovadora humanizada nos convidam sempre a olhar para a base antes de buscar resolver.
O título deste artigo, na verdade, foi o tema do bate-papo que tive com Rodrigo Fontana, executivo com mais de 25 anos de experiência em transformação digital e liderança estratégica, na Comunidade Reinvente! Rodrigo apresentou um framework que ele chama de MP3: o alinhamento entre Produto, Processo e Pessoas. São três pilares que, quando funcionam juntos, geram crescimento sustentável. Mas há uma camada que vai além da estrutura: produtos são feitos por pessoas para pessoas, processos são criados e gerenciados por pessoas, e são as pessoas que motivam e engajam outras pessoas. O maior desafio de qualquer organização em crescimento não é a falta de estratégia, mas conseguir garantir esse alinhamento, fazendo com que tudo isso ande junto, na mesma direção e com coerência.
Basicamente, trazemos novamente o foco para a importância do líder assumir essa responsabilidade de alinhamento constante e ter seu olhar voltado às pessoas, sempre nesse processo dos 3 pilares que, se somam, aos da própria cultura inovadora humanizada. Uma matriz interessante que Rodrigo compartilhou foi a dos marinheiros navais americanos. Eles têm um dos processos de formação mais rigorosos do mundo e utilizam essa matriz para pensar sobre confiança e performance. Eles consideram que, em situações de alta pressão, é melhor ter ao lado alguém de alta confiança e performance moderada do que alguém de alta performance e baixa confiança. Porque performance sem confiança é imprevisível e imprevisibilidade, em qualquer equipe, corrói a cultura de dentro para fora.
Por fim, gostaria de ressaltar as três características que Rodrigo elege como fundamentos da liderança que desenvolve pessoas: confiança, exemplo e humildade. Confiança, porque ninguém segue quem não acredita. Exemplo porque o líder que prega o que não vive perde autoridade. E humildade, porque sempre haverá alguém fazendo melhor, e a capacidade de aprender com quem faz melhor é o que separa o líder que cresce do líder que estagna. São princípios universais e milenares, mas sempre atuais e de grande impacto na liderança.
Retomando a abertura, uma cultura de alta performance e uma cultura humanizada não são opostas. Quando bem construídas, são, na verdade, a mesma coisa. Alta performance sustentável só existe onde há confiança real, onde o exemplo é consistente e onde a humildade permite que as pessoas cresçam sem medo de errar.
Que possamos praticar a arte suave de liderar, tendo coragem de cuidar do básico com a mesma seriedade com que cuidamos da estratégia. Porque, no fim das contas, as empresas são feitas por pessoas. E pessoas lideram, engajam e entregam na exata medida em que são confiadas, inspiradas e respeitadas.
