bell hooks e o amor
Gloria Jean Watkins (1952-2021), pensadora, escritora, ativista e professora, escreveu mais de 30 livros e é mais conhecida pelo pseudônimo, bell hooks. Escolhido em homenagem à avó, ele vem em letras minúsculas, um posicionamento político de recusa egóica intelectual. Sua ideia era a de que prestássemos atenção nas suas palavras e não na sua pessoa.
“Tudo sobre o amor: novas perspectivas” é o primeiro livro de uma trilogia que tem o amor como tema. Publicado nos EUA, no ano 2000, ele é seguido por “Salvação: pessoas negras e o amor” (2001) e “Comunhão: a busca feminina pelo amor” (2002). No Brasil, todos estão publicados pela editora Elefante. O primeiro, em 2021, os outros dois em 2024.
Pensadora disposta a esmiuçar os assuntos que a atraíam, bell hooks se dedica, no primeiro livro da trilogia, a refletir criticamente sobre o tema do amor. Para ela, tomado como natural e óbvio, o sentimento se torna distante e abstrato no nosso cotidiano. Difícil de ser compreendido de maneira racional ou discutido com qualquer tipo de asserção, é assunto do qual todos julgam saber, mas, caso questionados, poucos mostram ter clareza sobre o que compreendem como amor e como o praticam no seu dia a dia.
A tendência que temos, segunda ela, de acreditar que já nascemos com esse conhecimento, ou seja, sabendo amar e dispostos a amar, nos afasta de o perceber como algo necessário e importante de ser aprendido. Para hooks, considerando que a capacidade de amar é praticada dentro de uma sociedade patriarcal e opressora, ela surge moldada para determinadas atitudes, preceitos e pré-conceitos.
Para além de discorrer sobre a questão, o que por si só é interessante – mais de uma vez procurei livros sobre o assunto sem sucesso – “Tudo sobre o amor: novas perspectivas” explora o tema em amplo espectro, seja nas relações românticas ou familiares, seja nas relações de amizade ou na comunidade. E, mais do que uma vivência humana, bell hooks defende que o amor é uma ação capaz de dar sentido aos nossos dias, afastar a ganância e a ambição, fomentar a paz interior e nos tornar mais fraternos e compreensivos.
Há, em suas ideias, uma espécie de pedagogia do amor. Bell hooks defende uma ética amorosa que seria capaz de construir uma sociedade mais igualitária, fundamentada no bem-estar coletivo e na justiça. Percebe-se, na sua teoria, inspirações na filosofia budista e nas igrejas cristãs do sul dos EUA.
Bell hooks tem escrita bastante pautada pelas causas que defende. Sua teoria e pensamento extremamente ricos, no entanto, ultrapassam nomenclaturas, que pudessem restringir ou direcionar seu potencial reflexivo, para se configurarem reflexão bela e fértil para que pensemos o amor e a maneira como ele é praticado por cada um de nós. Leitura curiosa. E diferente.
Editora: Elefante (2021)
Páginas: 274
Preço: 45,90