A glutamina é o mais abundante e versátil dos 20 aminoácidos presentes no corpo. Indivíduos saudáveis com 70 kg de peso possuem entre 70 a 80 gramas de glutamina distribuídas por todo o corpo.
A glutamina tem função anti-inflamatória e antioxidante (precursora da glutationa) e é um componente essencial das proteínas, do sistema imunológico, da saúde intestinal, do sistema muscular, atua na produção de glicoproteínas, histidina, triptofano, de nucleotídeos - purinas, pirimidinas e aminoaçúcares (unidades básicas para a formação de DNA e RNA), equilibra o açúcar no sangue, dá suporte à saúde cerebral e função cognitiva, controle do estresse e fadiga, tratamento da anemia falciforme. Ela desempenha um papel importante no metabolismo para fornecer a energia necessária para o funcionamento do corpo.
Tanto em condições de saúde quanto de doença, a taxa de consumo de glutamina pelas células imunes é semelhante ou superior à da glicose. Em situações como septicemias, queimaduras, grandes cirurgias, desnutrição e atividade física de alta intensidade e prolongada, ela é utilizada na produção de células imunes.
A glutamina é uma fonte de energia imprescindível para o bom funcionamento do sistema imunológico, por aumentar a produção de células de defesa, como os glóbulos brancos e as células imunes do intestino, para as atividades fagocíticas, secretoras de macrófagos e eliminação de bactérias pelos neutrófilos. Os glóbulos brancos, além de utilizarem a glutamina para o combate a infecções, cumprem um papel fundamental nos processos de reparação de tecidos danificados.
No sistema digestivo, a glutamina contribui para otimizar a absorção de nutrientes, ajuda a reduzir a inflamação no trato gastrointestinal, fortalece a barreira celular, mantém a integridade da parede intestinal, equilibra a microbiota intestinal, impede danos aos intestinos (previne a proliferação de bactérias más e a formação de toxinas, atua na prevenção e tratamento do intestino permeável).
Os músculos esqueléticos são quantitativamente o local mais relevante de armazenamento, síntese e liberação de glutamina. Devido à sua ação na produção de proteínas, a glutamina ajuda no aumento da massa muscular e acelera a reparação e recuperação das fibras musculares pós-treino. Durante exercícios intensos, os músculos produzem ácido lático, um dos responsáveis pela fadiga muscular. A glutamina regula o acúmulo de ácido lático nos músculos e reduz a fadiga.
A glutamina é precursora de glutamato e Gaba (ácido gama-aminobutírico), que são essenciais para a cognição: concentração, foco, aprendizado e no controle da ansiedade, estresse e depressão. Ela protege os neurônios contra o estresse oxidativo e atua na prevenção de doenças neurodegenerativas (Alzheimer).
A glutamina ajuda na regulação da liberação e utilização da glicose pelo organismo e, com isso, melhora a sensibilidade à insulina e a prevenção de diabetes.
O efeito paradoxal da glutamina consiste em que as células saudáveis a usam como fonte de energia, aumentando a vitalidade e a imunidade, enquanto as células cancerígenas usam a glutamina para se proliferar e espalhar. As células cancerígenas podem usar tanta glutamina que pode não sobrar o suficiente para o bom desempenho das células normais.
As maiores fontes alimentares de glutamina são: carnes, frutos do mar, leite, ovos, arroz branco, aveia, nozes, amêndoas, amendoim, feijão, lentilha, tofu, beterraba, milho, repolho roxo, espinafre e salsa.
