Este é o último artigo da série de quatro artigos sobre os temas abordados nas palestras do Cegente Summit, realizado no mês passado. Hoje trago o tema abordado pela Dafna Blaschkauer, autora do livro Power Skills, que encerrou o evento com chave de ouro. Ela começa fazendo uma provocação ao termo "soft skills", que, para ela, não tem nada de suave, dado o poder que essas habilidades nos conferem no exercício da nossa liderança.
Dafna organiza esse conjunto em três camadas que se constroem uma sobre a outra com uma lógica que temos abordado com frequência nos artigos aqui na coluna e que também buscamos aplicar no exercício da nossa liderança na nossa cultura inovadora humanizada na CCLi. A primeira é a autoliderança, que, para mim, é o ponto de partida para qualquer desenvolvimento de liderança e, portanto, pilar estruturante de tudo, pois, sem ela, qualquer outra habilidade de liderança fica instável. E a Dafna deixa claro que autoliderança não é autoconhecimento teórico, mas sim a disciplina de fazer o que precisa ser feito quando não há vontade de fazer. É exercer o poder do foco e escolher conscientemente onde colocar a energia. É cultivar a mentalidade de crescimento, que é a capacidade de transformar derrotas em aprendizado, combinando a dor da derrota com uma pausa genuína de reflexão antes de revisitar a ação. Esse ciclo, quando praticado com consistência, é o que separa quem cresce com os erros de quem é consumido por eles.
A segunda camada é a liderança de pessoas propriamente dita, que é o caminho executivo, como ela chama. Duas habilidades que ela destaca nesta segunda camada são comunicação e colaboração, que parecem básicas, mas que, na prática, são onde a maioria dos problemas organizacionais se origina. Não por falta de estratégia, nem por falta de recurso, mas por falhas na forma como as pessoas se comunicam e na qualidade das relações que constroem entre si. Isso conversa diretamente com o que tenho vivido ao longo deste ano com os desafios do lema "Agir com Propósito" no modelo remoto, já que a cultura é formada por comportamentos repetidos, e nenhum comportamento tem mais impacto cultural do que a forma como o líder se comunica e colabora no dia a dia. Aprender a comunicar e a colaborar é um exercício contínuo de desenvolvimento da liderança.
A terceira camada é a liderança humana, que, segundo ela, é aquela que transcende o contexto imediato e opera numa dimensão mais ampla. Duas habilidades que ela destaca nesta camada são empatia e adaptabilidade. O líder que não consegue sentir o outro e que não consegue se adaptar sem perder a essência tende a liderar bem apenas quando o ambiente favorece o seu estilo e a colapsar quando ele muda.
A maior lição que tirei da palestra foi a distinção que Dafna fez no final entre vendedores de sonhos e viabilizadores de sonhos. Os vendedores de sonhos inspiram, e isso já é bastante coisa, inclusive. Mas os viabilizadores de sonhos fazem algo além: eles impulsionam e geram impacto concreto aplicando os três Is da liderança que ela propõe: inspirar, impulsionar, impactar. E essa sequência importa porque muitas vezes ficamos no primeiro I. Inspiramos com discurso, com visão, com presença. Mas não impulsionamos porque não criamos as condições práticas para que as pessoas se movam. E não chegamos ao impacto porque visão sem ação permanece apenas uma intenção bonita.
Que possamos sempre estarmos abertos a aprendermos a exercer nossas power skills em um nível mais elevado a cada fase da nossa jornada de liderança e, com isso, possamos não só inspirar, que é fundamental, mas também impulsionar e impactar todas as pessoas que lideramos e, consequentemente, o negócio como um todo.
