A nova edição da lista The World’s 50 Best Hotels foi anunciada em Londres, no Old Billingsgate, edifício histórico às margens do Tâmisa que, por uma noite, reuniu alguns dos principais nomes da hospitalidade contemporânea. Além de cerimônia, o evento se consolidou como um termômetro relevante para entender os rumos do setor. O foco deixou de ser apenas luxo e passou a privilegiar coerência, identidade e experiência bem construída.
Diferentemente de rankings baseados em infraestrutura ou indicadores comerciais, a lista avalia o hotel como um todo. Entram em jogo narrativa, estética, sensação de chegada, relação com o território, gastronomia, consistência do serviço e a capacidade de transformar a estadia em algo que permanece na memória do hóspede.
A curadoria é feita por um painel com mais de 800 especialistas internacionais, entre jornalistas de viagem, hoteleiros, gestores de hospitalidade e viajantes experientes. Cada votante indica até sete hotéis onde esteve nos últimos 24 meses, sempre com base em vivências reais. Não há inscrição, campanha ou votação por reputação. O critério é a experiência vivida, do início ao fim.
Nesse contexto, o Brasil teve um destaque que vai além do simbolismo. O Copacabana Palace, a Belmond Hotel alcançou a 11ª posição mundial, reafirmando seu lugar entre as grandes referências da hotelaria internacional. Mais do que um hotel icônico, o Copa segue relevante porque conseguiu atravessar décadas sem perder identidade, ao mesmo tempo, em que se reinventou com clareza e consistência.
Recém-condecorado com duas chaves Michelin, o hotel foi eleito o melhor da América do Sul e recebeu ainda o Lavazza Highest New Entry Award, reconhecimento reservado às estreias mais impactantes do ranking. Um prêmio que não se explica apenas pela tradição, mas pela capacidade de entregar uma experiência alinhada, do serviço à atmosfera, sem excessos nem artificialidade.
Essa conquista confirma algo que quem atua no turismo de alto padrão já percebe há tempos. O Brasil tem propriedades capazes de competir ao nível global não pela ostentação, mas por uma combinação rara de técnica, sensibilidade e calor humano. Uma hospitalidade que não se impõe, mas se constrói no detalhe.

