De Beyoncé a Kim Kardashian, diversas celebridades têm falado abertamente sobre suas crises de psoríase – uma doença inflamatória crônica, não contagiosa, que pode causar vermelhidão, coceira e descamação, especialmente em momentos de estresse. As famosas usaram as redes sociais e compartilharam suas experiências em entrevistas. Enquanto Beyoncé relembra o cuidado com o couro cabeludo desde a infância, Kim Kardashian relata surtos dolorosos, Kelly Key expôs fases difíceis da doença e Juju Salimeni revelou que os sintomas surgiram durante a depressão.
A vermelhidão acompanhada de coceira, pode ser mais do que um incômodo momentâneo. Para milhões de pessoas, esses sinais indicam a doença inflamatória crônica que afeta a qualidade de vida e atinge cerca de 3% da população mundial, incluindo aproximadamente 5 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
“Apesar de ainda gerar dúvidas, a psoríase não é contagiosa. É uma condição autoimune, influenciada pelo sistema imunológico e pela genética, e cercada de desinformação que contribui para o estigma”, explica Julinha Lazaretti, bióloga e cofundadora da Alergoshop.
O Ministério da Saúde classifica a psoríase como uma doença sistêmica e crônica, com manifestações variadas na pele, unhas e articulações. Ela pode surgir em diferentes formas, como em placas, gotas, pustulosa, eritrodérmica, invertida ou ungueal, que se apresentam isoladamente ou em combinação, e variam em intensidade ao longo da vida. As crises tendem a oscilar entre períodos de melhora e piora, influenciadas por fatores como estresse, infecções, álcool e certos medicamentos.
Podendo ser esencadeada por fatores emocionais e ambientais, a psoríase tem predisposição genética e costuma surgir entre os 20 e 40 anos. A condição apresenta ciclos de melhora e piora, com lesões que aparecem e desaparecem ao longo do tempo.
Estudos em psicodermatologia indicam que fatores emocionais, como estresse intenso, ansiedade e traumas, podem não apenas agravar a psoríase, mas também desencadeá-la, já que a resposta inflamatória nesses momentos faz da pele um reflexo do sofrimento interior. “A psoríase é uma das doenças crônicas que mais impactam a qualidade de vida, não apenas pela aparência visível, mas pelo estigma social associado”, afirma a dermatologista Raquel Rennó, docente do Instituto de Educação Médica (Idomed).
O apoio da família e da rede social é fundamental para reduzir o isolamento, fortalecer a adesão ao tratamento e minimizar o impacto emocional. “O paciente com psoríase pode apresentar também distúrbios do sono, fadiga, ansiedade e depressão, o que reforça a necessidade de uma abordagem multidisciplinar”, explica a especialista.
O sofrimento emocional influencia diretamente a percepção do paciente sobre a doença e sua capacidade de lidar com as limitações que ela impõe. “O acompanhamento psicológico ajuda a criar estratégias de enfrentamento, ressignificar a experiência e preservar autoestima e vínculos sociais. Esse suporte deve envolver a família, criando um ambiente acolhedor e fortalecendo a rede de apoio”, ressalta Fabrício Otoboni, docente de psicologia do Unitoledo Wyden.
Segundo a reumatologista Cláudia Goldenstein Schainberg, diretora executiva do Grappa, a doença se manifesta de maneiras muito distintas. “A psoríase varia em grau e forma: pode afetar apenas uma pequena área da pele, como uma mancha discreta, ou atingir regiões maiores, causando mais incômodo e comprometendo a qualidade de vida”, explica.
A Sociedade Brasileira de Reumatologia ressalta ainda que a condição pode envolver as articulações, provocando dor e inflamação. Essa complicação, conhecida como artrite psoriásica, ocorre em cerca de 20% a 40% das pessoas com psoríase.
Sintomas
Alguns sintomas da psoríase são pele irritada e rachada, manchas vermelhas, coceira, queimação e dor. Unhas amareladas e grossas. “As manchas ocasionadas por essa doença podem surgir por qualquer parte do corpo”, enumera a reumatologista.

