O novo ano inicia e junto com os novos objetivos vem também a empolgação com as metas fitness para dar um UP no corpo e na saúde. Esta é a época em que as academias lotam, a alimentação entra nos trilhos e os treinos passam a fazer parte da rotina de quem busca virar a página depois dos excessos das festas de final de ano. Embaladas pelas resoluções de Ano Novo, pelo clima do verão e pela vontade de mudar o estilo de vida, muitas pessoas aumentam a frequência dos exercícios, colocam mais intensidade e carga nas repetições e acreditam que treinar pesado todos os dias é o caminho mais rápido para alcançar resultados. Mas, na prática, este é o recomendado?
Dados do mercado fitness indicam que aproximadamente 12% das novas matrículas do ano são feitas em janeiro – o que coloca o mês como o período de maior adesão às academias. A frequência de alunos, segundo estatísticas do setor, também cresce de forma expressiva, podendo ser até 25% maior em comparação com dezembro. O aumento da procura é resultado, segundo profissionais da área, também das férias escolares e de trabalho e dos recessos.
Apesar do entusiasmo, especialistas alertam sobre os riscos de treinos intensos sem planejamento e sem acompanhamento. O personal trainer Iago Beckman, especialista em hipertrofia e preparador físico de atletas, explica que treinar diariamente não é, por si só, algo negativo. O ponto de atenção, segundo o profissional, está na forma como a rotina será conduzida. “A frequência de treino precisa estar alinhada ao nível de condicionamento, ao objetivo e à capacidade de recuperação de cada pessoa. Quando isso não é respeitado, o excesso de exercício pode comprometer a saúde e os resultados”, alerta.
Com experiência em campeonatos de fisiculturismo e atuação na preparação física voltada à performance esportiva, saúde, longevidade e qualidade de vida, Iago observa que, especialmente no início do ano, é comum que pessoas passem do sedentarismo direto para treinos intensos e frequentes. “Esse salto brusco aumenta muito o risco de dores musculares persistentes, inflamações articulares, lesões e fadiga extrema”.
Os impactos, segundo o especialista, não se limitam ao corpo. O excesso de treino, ao médio prazo, segundo Iago Beckman, também pode afetar o rendimento dos exercícios e a motivação. “Quando o corpo não consegue se recuperar, a performance cai. A pessoa se sente constantemente cansada, perde força, não evolui e acaba frustrada. Isso faz com que muitos abandonem a rotina de exercícios ainda nos primeiros meses”, orienta.


