Reservar alguns minutos do dia para tomar sol pode parecer um detalhe, mas é um cuidado essencial para o fortalecimento da vitamina D e garantir o funcionamento do organismo. A exposição à luz solar, segundo especialistas, está diretamente ligada à produção da vitamina que é fundamental para ossos, músculos e imunidade, além de impactar positivamente a saúde mental e o equilíbrio emocional.
A dermatologista do Serviço de Dermatologia Hospital de Base e da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) Tânia Regina Andrade Barbon explica que a vitamina D é uma importante aliada ao sistema imunológico, “pois contribui para que o corpo possa utilizar suas defesas contra doenças infecciosas, como gripes”, afirma. A vitamina também participa do bom funcionamento dos músculos, segundo a médica, e pode influenciar no humor, “com maior risco de fraqueza e tristeza”, pontua.
A dermatologista ressalta que a deficiência da vitamina D também pode causar dor muscular difusa, fraqueza muscular proximal, fadiga, dor óssea em membros inferiores e região lombar, “dificuldade para caminhar, quedas e aumento do risco de fraturas”, complementa. Em crianças, segundo a especialista, a atenção sobre a falta da vitamina D deve estar sobre o alguns sinais, “atraso no crescimento, irritabilidade, atraso na erupção dentária e se grave, até sinais de raquitismo”, reforça.
Sobre as crianças pequenas, a deficiência da vitamina D, segundo a médica, pode estar associada ao raquitismo. “Ossos frágeis, retardo no crescimento e fraqueza muscular”, cita Tânia Regina. “Existem suspeitas de que a deficiência também possa ainda estar associada com infecções respiratórias, pior controle glicêmico em diabéticos e possivelmente piora de doenças cardiovasculares e autoimunes”, complementa.
Grupos de risco
Segundo Tânia Regina, há grupos populacionais de maior risco para deficiência de vitamina D, como pessoas com 60 anos ou mais, “devido a menor síntese cutânea, menor exposição solar e alterações fisiológicas da idade”, afirma. Em idosos, a falta de vitamina D também pode causar danos, “miopatias próximas (doença nos músculos), instabilidade postural, quedas recorrentes e osteomalacia (ossos fracos)”, afirma.
Mulheres na menopausa são outro grupo de alerta. “Pode ocorrer piora da osteoporose e aumento do risco de fraturas”, ressalta. Peles mais escuras também são mais suscetíveis, “por maior quantidade de melanina e menos síntese cutânea da vitamina”, explica Tânia Regina.
Pessoas de regiões urbanas, que tomam menos sol, e obesos também devem ter atenção redobrada, “pois o tecido adiposo está associado a menores níveis de vitamina D”, reforça. A médica aponta ainda a quantidade de vitamina necessária para pessoas das regiões Sul e Sudeste. “A deficiência é 25(OH)D e insuficiência igual a 20 a 30(OH)D.”
Exposição solar
Os banhos de sol, segundo a dermatologista Tania Regina, são ideais entre 10 horas e 16 horas, quando a UVB é mais intensa. “Porém é necessário cautela, devido ao risco elevado de câncer de Pele, especialmente nas regiões com doses elevadas de UV”, destaca. A exposição, segundo a médica, deve ser moderada. “Cerca de 15 minutos de duas a três vezes por semana, sendo exposto 25% da superfície corporal, evitando queimaduras e sempre levando em conta, fototipo, região e fatores individuais”, orienta. Já sobre suplementação, a médica afirma que deve ser indicada em casos com deficiência comprovada ou pertencentes a grupos de risco, “após avaliação médica, quando necessário”.
A médica da atenção integral à saúde da Unimed, Luane Rodrigues de Paula Ferreira, complementa: “é fundamental evitar a automedicação. Também é importante evitar o uso prolongado sem acompanhamento, já que o excesso de vitamina D pode trazer riscos à saúde”, afirma.
Outros fatores
A médica Luane Rodrigues orienta ainda que além da exposição ao sol, outros fatores influenciam nos níveis de vitamina D no organismo. “A alimentação tem um papel complementar, embora poucos alimentos sejam naturalmente ricos em vitamina D, ela pode ajudar a manter níveis adequados”, afirma a médica. O estilo de vida também é um fator importante, segundo a médica da Unimed. “Pois o sedentarismo e a pouca permanência em ambientes ao ar livre reduzem a exposição solar”, cita.
Luane Rodrigues também ressalta que o uso de protetor solar, essencial para a prevenção do câncer de pele, também diminui a produção cutânea de vitamina D. Ambientes fechados sem exposição solar também são um fator que influencia. “Uma realidade cada vez mais comum, acabam tendo pouca exposição solar ao longo do dia, o que favorece a deficiência”, destaca a médica.

