Pães, bolos, brownies, salgados, massas, doces e até picolés. A variedade pode parecer a de uma confeitaria ou padaria convencional, mas existe uma diferença: nas receitas, ingredientes como farinha de trigo e leite de origem animal ficam de fora. Por aqui, empresas especializadas em alimentação sem glúten e sem lactose têm ampliado a oferta e mostrado que restrições alimentares não precisam significar abrir mão do prazer à mesa.
O crescimento acompanha uma procura que reúne diferentes públicos. De um lado, estão pessoas que precisam retirar determinados ingredientes da alimentação por questões de saúde, como quem tem doença celíaca ou intolerância à lactose. De outro lado, consumidores que buscam alternativas que consideram mais adequadas e saudáveis à própria rotina alimentar.
Neste universo, empresas especializadas vêm transformando receitas tradicionais para atender a esse público. Farinhas de arroz, amêndoas, grão-de-bico, lentilha e linhaça aparecem como alternativas ao trigo. Leite de coco, castanhas e outros ingredientes de origem vegetal entram no lugar dos lácteos. Tapioca, batata-doce, abóbora, biomassa de banana verde e diferentes fibras também ganham espaço nas cozinhas.
A proposta é desenvolver produtos que mantenham textura, sabor e aparência semelhantes aos alimentos tradicionais. É justamente nessa busca que a empresária Daniela Carrazzone, da Dani Gourmet – Alimentação Funcional, vem trabalhando. A empresa aposta em uma produção sem traços de glúten e leite animal e oferece opções que vão dos pães aos doces e salgados congelados.
Entre os produtos estão pão integral com castanhas, brioche, pão francês de longa fermentação, pão de hambúrguer low carb e pão de leite de coco. A linha de doces inclui palha italiana, pão de mel, cookies, mini cakes, bolinho de laranja e brownie. Para quem procura opções salgadas, há esfirras, tortinhas e salgados preparados com ingredientes como farinha de arroz integral, amêndoas, batata-doce, abóbora e requeijão de castanha de caju. Daniela criou até uma versão picolé do morango do amor, cravejado sem glúten e produtos lácteos.
A história da Dani Gourmet começou antes de Daniela pensar em transformar a alimentação em negócio. Em 2013, ela começou a preparar em casa as próprias refeições depois de retirar o glúten e o leite animal da alimentação. A mudança veio acompanhada de uma perda de 16 quilos e, segundo ela, de uma percepção de benefícios no dia a dia. “Eu fazia minha própria comida e testava pães, justamente para não me faltar nada e não comer industrializados”, conta.
Durante cerca de dois anos, a produção ficou restrita à casa. Até que uma prima que iria se casar pediu que Daniela preparasse alimentos para ela, interessada nos resultados que havia observado na alimentação dela. A indicação acabou levando a outras encomendas. “Eu nem pensei que seria um negócio, fui fazendo simplesmente", lembra. A procura foi crescendo de maneira orgânica, a partir de indicações e das redes sociais, até que a produção doméstica deu lugar à empresa especializada em alimentação funcional.
Para Daniela, desenvolver esse tipo de receita exige precisão. “É realmente uma alquimia, porque precisa estar tudo bem ajustadinho entre todos os ingredientes. Não posso colocar uma colher de farinha de trigo ‘de vó’, como o pessoal costuma fazer. É tudo muito certinho, porque, se passar ou faltar, a gente perde toda uma receita”, explica.
A empresária também chama atenção para uma diferença importante para os consumidores: produtos zero lactose continuam contendo proteínas do leite, como a caseína, que podem provocar reações em pessoas com alergia ao leite de vaca. Foi justamente a partir da própria experiência com a retirada do leite animal da alimentação que Daniela passou a desenvolver receitas sem esse ingrediente.
Por isso, a Dani Gourmet não utiliza leite de vaca em suas preparações e trabalha com alternativas de origem vegetal, como coco, amêndoas e castanha de caju. A cozinha também é preparada para não conter traços de leite ou de glúten, o que permite atender tanto pessoas com alergia às proteínas do leite quanto o público celíaco. “Nosso espaço pode atender o público celíaco, que não pode consumir traços de glúten, e também alérgicos à caseína, porque nossa cozinha não tem traços de leite de vaca”, explica Daniela.



