O uso excessivo de redes sociais, como Instagram, TikTok e outras plataformas, tem sido associado a impactos negativos na saúde mental e emocional de adolescentes e jovens entre 12 e 17 anos. Entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Academia Americana de Pediatria alertam sobre os riscos do uso prolongado e sem controle das redes sociais para aumento de ansiedade, depressão, distúrbios do sono, transtornos alimentares e falta de concentração. A comparação constante com imagens filtradas e estilos de vida idealizados e a necessidade de aprovação são gatilhos, segundo especialistas, para impactos cada vez mais preocupantes.
A psicóloga clínica Thaysa Molina afirma que a adolescência é especialmente vulnerável a efeitos das redes sociais, já que a construção da identidade, o desejo de pertencimento e a necessidade de aceitação ganham maior importância nesta fase. “Neste sentido, a rejeição ou exclusão tende a ter um impacto emocional maior, já que o desenvolvimento cerebral ainda está em curso e áreas ligadas ao controle de impulsos, planejamento e autorregulação tendem a amadurecer um pouco mais tarde”, afirma.
Outro fator negativo apontado pela psicóloga é a comparação. Thaysa explica que as versões idealizadas que estão nas redes sociais levam adolescentes e jovens a fazerem comparações irreais. “Quando eu olho lá, todos são mais felizes, mais bonitos e mais produtivos. Como se a gente se comparasse a um ideal que imaginamos e sonhamos e que está nas redes por meio de uma foto que não é 100% a realidade. A vida do indivíduo não é aquilo que é mostrado”, reforça.
A comparação com estilos de vida perfeitos, segundo a psicóloga, pode gerar “insatisfação corporal, sensação de inadequação, menor autoestima e percepção de fracasso”, cita. Thaysa destaca ainda que muitos jovens passam a acreditar que precisam atingir aqueles padrões impossíveis das redes para serem aceitos socialmente. “Adolescentes e jovens usam seus pares como referência para aparência, sucesso, popularidade e autoestima”, completa.
Recompensas
Outro alerta, segundo Thaysa, é o mecanismo de recompensa criado pelas redes. “Às vezes a postagem recebe muita atenção, às vezes pouca. Esse padrão imprevisível tende a manter um comportamento de checagem, postagem e monitoramento constantemente. Postei, recebi curtidas, senti aceitação e alívio. Isso aumenta a probabilidade de repetir o comportamento”, afirma. “Validação que depende da aprovação. Se não houver retorno, significa rejeição”, completa.
A psicóloga clínica Ellora Cembranelli afirma que o alerta mais importante é quando as redes passam a ocupar um espaço central na vida dos jovens. “O uso ‘excessivo’ de redes sociais não é definido apenas pela quantidade de horas online, mas principalmente pelo impacto emocional e comportamental que esse uso provoca”, orienta. Na prática clínica, segundo Ellora, alguns sinais são observados: “necessidade constante de checar notificações, irritação ao ficar desconectado, perda de interesse em atividades presenciais ou dependência das redes para se sentir validado e incluído”, cita.
Ellora chama atenção ainda para a pressão pelo consumo. “Hoje, muitas redes sociais misturam entretenimento e publicidade de forma muito intensa, fazendo com que jovens sintam necessidade de consumir produtos, estilos de vida e tendências para pertencer”, alerta. Estímulo ao consumo que também gera impactos negativos: “frustração, sensação de insuficiência e pressão emocional constante”, completa.
Distúrbios
Os impactos das redes aparecem na qualidade do sono, na concentração e no rendimento escolar. Segundo Ellora, muitos adolescentes permanecem em estado constante de alerta por conta de hiperestimulação digital. “Por conta da rolagem infinita, das notificações e do fluxo acelerado de informações, o que dificulta o desacelerar necessário para iniciar um sono de qualidade”, explica.
O psicólogo Bruno Garibaldi destaca que os impactos das redes sociais na saúde emocional e mental de adolescentes e jovens são percebidos também quando há o abandono de atividades que antes eram prazerosas. “Existe isolamento social, queda de prazeres que tinha antes e uma comparação excessiva com uma realidade distorcida. Muitas vezes ele acredita que a vida do outro é sempre melhor do que a dele”, afirma.
O psicólogo alerta ainda para a dificuldade de adolescentes e jovens de lidar com frustrações no ambiente virtual. “Quando não recebe aprovação ou é contrariado, isso pode intensificar alterações de humor. Muitos passam a acreditar que não pertencem mais, que ninguém gosta deles”, alerta. Em casos mais graves, segundo Garibaldi, os impactos emocionais podem evoluir para transtornos como ansiedade e depressão. “Pode existir depressão, crise de ansiedade, automutilação e sofrimento intenso sempre ligado à comparação e ao medo de não ser aceito”, afirma.

