A incorporação da combinação dos medicamentos venetoclax e azacitidina contra a Leucemia Mieloide Aguda (LMA) pelo Sistema Único de Saúde (SUS) amplia o tratamento disponível para pacientes adultos diagnosticados com a doença, um tipo agressivo de câncer que se desenvolve na medula óssea e pode evoluir rapidamente. A combinação é indicada para pacientes recém-diagnosticados sem condição para suportar a quimioterapia intensiva tradicional.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) informa que a inclusão das medicações foi baseada em evidências avaliadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que apontaram melhora no controle da doença, na sobrevida e na qualidade de vida de pacientes. A médica hematologista da Santa Casa de Rio Preto, Ana Cristina Maluli, afirma que a população que mais se beneficia da nova opção são idosos ou clinicamente frágeis. “E outras condições que reduzam a capacidade de tolerar um tratamento de alta intensidade”, afirma.
A relevância das novas medicações no SUS está em oferecer uma alternativa terapêutica para um grupo de pacientes que historicamente tinha opções menos eficazes ao não suportar quimioterapia intensiva. “Nos estudos que fundamentaram a avaliação, a combinação de venetoclax e azacitidina apresentou melhores resultados clínicos do que azacitidina isoladamente, incluindo maior taxa de resposta e maior sobrevida global”, explica a hematologista.
A combinação do SUS se diferencia da quimioterapia tradicional pela intensidade e pelo mecanismo do tratamento, mesmo não sendo isenta de toxicidade. “A quimioterapia convencional utiliza medicamentos que atingem células que estão se dividindo rapidamente e pode provocar uma supressão importante da medula óssea e outros efeitos tóxicos”, explica Ana Cristina.
Em termos simples, a especialista explica que o venetoclax ‘desliga’ uma proteção (proteína BCL-2) que ajuda as células da leucemia a sobreviver. “Ao bloquear a BCL-2, o venetoclax favorece a ativação da via de morte celular da própria célula, levando à eliminação das células leucêmicas”, afirma Ana Cristina.
Já a azacitidina interfere no funcionamento dos genes das células da leucemia, dificultando que elas continuem vivas e se multipliquem de forma descontrolada, “reduzindo a capacidade dessas células de permanecerem e se multiplicarem de forma anormal”, ressalta. Além disso, segundo Ana Cristina, existem evidências de que a azacitidina pode reduzir mecanismos celulares de resistência à ação do venetoclax. “Contribuindo para o efeito combinado”, afirma.
Leucemia
A LMA é um câncer do sangue que começa na medula óssea (dentro dos ossos), responsável pela produção do sangue. “Na doença, uma população de células muito imaturas, chamadas blastos, passa a se multiplicar de maneira desordenada e perde a capacidade de seguir normalmente o processo de maturação”, explica o cirurgião oncológico Sérgio Carvalho. “Isso pode provocar anemia, redução de plaquetas e diminuição das células responsáveis pela defesa do organismo, o que explica grande parte dos sintomas”, complementa.

