Dor nas pernas, sensação constante de peso, inchaço persistente e facilidade para o surgimento de hematomas. Para muitas mulheres, esses sintomas são tratados como consequência do cansaço ou do excesso de peso. No entanto, eles podem indicar uma condição crônica ainda pouco conhecida: o lipedema.
Caracterizado pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços, o lipedema atinge entre 9% e 10% das mulheres adultas. A doença provoca dor ao toque, sensibilidade aumentada e inchaço que não melhora com dieta ou atividade física, o que frequentemente leva a diagnósticos equivocados.
A angiologista Isabelli Queiroz afirma que dor nas pernas não deve ser encarada como algo normal, principalmente quando é frequente. “Muitas mulheres convivem com esse desconforto por anos sem investigar a causa, o que pode atrasar o diagnóstico de condições vasculares importantes, como o lipedema”, explica.
A doença também é conhecida como síndrome da gordura dolorosa e está associada a alterações hormonais e fatores genéticos. Em cerca de dois terços dos casos, há histórico familiar. O quadro costuma surgir ou se agravar em fases de mudança hormonal, como puberdade, gravidez ou menopausa.
Uma das principais dificuldades no enfrentamento da doença é a demora para chegar ao diagnóstico correto. Como não existe um exame laboratorial específico para confirmar o lipedema, a identificação depende da avaliação clínica e da experiência do profissional de saúde.
A fisioterapeuta Mariana Milazzotto, especialista em lipedema, afirma que o lipedema ainda é frequentemente confundido com obesidade. “A paciente emagrece, mas a desproporção nas pernas permanece. Como não existe um exame laboratorial específico, o diagnóstico é essencialmente clínico, o que exige preparo do profissional.”
Segundo ela, muitas mulheres passam anos buscando explicações para os sintomas. “É comum que escutem que precisam apenas perder peso. Isso gera frustração, culpa e atraso no início do tratamento adequado”, afirma Mariana.
A fisioterapeuta dermatofuncional Fabi Pinelli afirma que muitas mulheres chegam ao consultório depois de uma longa trajetória de tentativas frustradas. “Elas já fizeram dieta, exercício, procedimentos estéticos e ainda carregam a sensação de que o corpo não responde porque algo está errado com elas”, afirma. “No lipedema, o problema não é falta de disciplina. É uma resposta corporal diferente da gordura comum.”
O diagnóstico costuma envolver avaliação do histórico familiar, exame físico e investigação de sinais como nódulos sob a pele, sensibilidade ao toque e perda de elasticidade do tecido adiposo. Exames complementares também podem ajudar na análise da circulação e da distribuição de gordura.

