O Junho Verde é o mês dedicado à conscientização sobre o câncer de rim, uma doença que afeta mais de 10 mil brasileiros por ano, segundo dados de instituições de referência em oncologia, e que, na maioria dos casos, é silenciosa no início. A campanha alerta a população sobre fatores de risco, sinais de alerta e a importância do diagnóstico precoce para aumentar chances de cura e preservar a função renal.
O câncer de rim, também chamado de câncer renal, é uma doença que começa nas células dos rins, órgãos responsáveis pela filtragem do sangue e pela produção da urina, segundo o médico oncologista e professor da Faculdade de Medicina Faceres, Fábio Leite. “Em geral, a doença não apresenta sintomas nas fases iniciais, o que contribui para diagnósticos tardios”, alerta.
Segundo o médico, muitos pacientes não apresentam sintomas evidentes, o que dificulta o diagnóstico precoce. “Quando os sinais aparecem, a doença pode já estar em estágio mais avançado”, afirma Fábio Leite. Por isso, de acordo com o oncologista, o diagnóstico muitas vezes ocorre de forma incidental, em exames de imagem realizados por outros motivos. “O acompanhamento médico regular e a realização de exames de rotina são fundamentais para aumentar as chances de detecção precoce”, completa.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de rim representa até 3% dos tumores malignos diagnosticados em adultos, é duas vezes mais frequente em homens, acomete mais adultos acima de 50 anos, com incidência maior entre 60 e 70 anos. “Entre os perfis mais afetados estão pacientes com histórico de tabagismo, hipertensão arterial e obesidade, além daqueles com doenças renais crônicas ou histórico familiar da doença”, afirma Fábio Leite.
Sintomas
Quando surgem manifestações clínicas, os principais sinais de alerta do câncer de rim, segundo Sérgio Carvalho, incluem sangue na urina, dor persistente na região lombar ou na região lateral do abdômen, presença de caroço ou aumento do volume abdominal. “Também podem ocorrer perda de peso sem causa aparente, fadiga, anemia, febre prolongada e aumento da pressão arterial”, reforça o especialista.
No caso de presença de sangue na urina, o médico reforça que o sintoma não se resume ao câncer de rim. “Embora seja um dos principais sinais de alerta para a doença e também para câncer de bexiga, ela pode estar associada a infecções urinárias, cálculos renais, doenças inflamatórias e até alterações benignas da próstata nos homens”, cita. No entanto, qualquer episódio de sangue ao urinar deve ser investigado, “especialmente quando ocorre sem dor ou de forma recorrente”, alerta Sérgio Carvalho.
Diagnóstico
O diagnóstico do câncer de rim geralmente, segundo Sérgio Carvalho, começa por exames de imagem. “A ultrassonografia pode identificar alterações suspeitas, mas a tomografia computadorizada com contraste é o principal exame para avaliação e estadiamento do tumor”, explica. Em algumas situações, a ressonância magnética também pode ser indicada. “Além disso, exames laboratoriais ajudam na avaliação da função renal e do estado geral do paciente”, completa.

