O Brasil está mais perto de uma conquista importante na saúde materno-infantil: pelo segundo ano consecutivo, o país atingiu as metas internacionais para eliminar a transmissão da Hepatite B de mãe para filho. Em 2025, a prevalência estimada de infecção ativa pelo vírus entre crianças de até cinco anos foi de 0,01% - índice abaixo do limite de 0,1% estabelecido para a eliminação. O resultado é atribuído a uma estratégia que começa na gestação, durante o pré-natal, e continua após o parto.
A conquista, no entanto, não significa que a Hepatite B tenha deixado de existir no País, mas é considerada um avanço, como afirma a pediatra Greter Fernandez. “Isso é resultado de décadas de trabalho estruturado: pré-natal de qualidade, testagem das gestantes, vacina no bebê após o nascimento e, quando necessário, imunoglobulina”, afirma. “É uma vitória de saúde pública construída com continuidade”, complementa.
A pediatra ressalta que, em 2025, o Brasil já tinha recebido a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV. “Agora o compromisso é chegar até 2030, eliminando também sífilis, doença de Chagas e HTLV como transmissão de mãe para filho. Isso coloca o país como referência internacional nesse tipo de prevenção”. E, para todas as prevenções, o primeiro passo é o pré-natal. “De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 98% das gestantes fizeram acompanhamento pré-natal em 2024 e 2025, acima do mínimo de 95% estabelecido nos critérios internacionais”, pontua.
Transmissão vertical
A transmissão da Hepatite B de mãe para bebê acontece principalmente no momento do parto. “Quando o bebê tem contato com sangue e secreções da mãe, se a mãe tem hepatite B e não recebe nenhum cuidado, o risco de o bebê se infectar é alto”, explica Greter Fernandez. Por isso, a pediatra afirma que o cuidado durante a gestação é importante. “A testagem no pré-natal identifica se a mãe tem o vírus e, se tiver, existe tratamento antiviral durante a gravidez para reduzir a quantidade de vírus circulante e diminuir o risco de passar para o bebê”, reforça.
Depois que a criança nasce, segundo a pediatra, ela também recebe a vacina, de preferência nas primeiras 12 horas de vida. “Se a mãe tem hepatite B, o bebê também recebe uma injeção de imunoglobulina nesse mesmo período. A combinação de vacina mais imunoglobulina evita cerca de 99% das infecções que aconteceriam do parto para o bebê”, informa. Prevenção que funciona com cuidados desde a gestação: “sem pré-natal completo, sem testagem, a gente perde a chance de proteger o bebê antes mesmo de ele nascer”, alerta.
Hepatite B
O que é a Hepatite B? “A hepatite B é uma infecção viral inflamatória causada pelo vírus denominado B”, explica a infectologista do Hospital VITA Curitiba, Marta Fragoso. A transmissão, segundo a especialista, ocorre por diversos meios: “Através de relações sexuais sem o uso do preservativo, da mãe para o filho durante a gestação, compartilhamento de objetos pessoais que cortam ou furam (lâminas de barbear, escovas de dentes, alicates de unhas, piercing, materiais de tatuagem) ou com perfurações acidentais com agulhas contaminadas”, cita.
A Hepatite B é uma doença grave? “É doença grave com possíveis desfechos catastróficos, como óbito, cirrose no fígado, câncer de fígado”, alerta Marta Fragoso. O diagnóstico, segundo a médica, é feito por meio de exame de sangue chamado sorologia. Já a prevenção está na vacina e na proteção. “Vacina com excelente resposta protetora e proteção contra as formas de transmissão, como sexo seguro, acompanhamento da gestante, não compartilhamento de materiais pérfurocortantes e descarte seguro de agulhas e outros materiais cortantes nos ambientes de saúde.”


