Em um cenário de uso cada vez mais intenso da voz, seja em reuniões, áudios, redes sociais ou na rotina profissional, cresce o número de pessoas com queixas como rouquidão, cansaço ao falar e falhas na comunicação.
Segundo a fonoaudióloga Ingrid Gielow, especialista em Voz e presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, o cuidado com a saúde vocal deve ir além dos chamados “profissionais da voz”, como professores, cantores, jornalistas e influenciadores.
“Qualquer pessoa pode desenvolver alterações vocais, especialmente em um contexto em que falamos mais — muitas vezes em ambientes ruidosos, sob pressão ou estresse. A voz dá sinais importantes quando algo não vai bem, e ignorá-los pode agravar o problema”, alerta.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados:
Rouquidão persistente por mais de 15 dias
Dor ou desconforto ao falar
Falhas ou perda de voz
Sensação de esforço ao falar
Pigarro frequente
“Esses sinais podem indicar desde uso inadequado da voz até alterações mais relevantes, como lesões nas pregas vocais. O diagnóstico precoce faz toda a diferença”, explica a especialista.
Hábitos comuns do dia a dia impactam diretamente a saúde vocal:
Falar alto ou gritar com frequência
Uso excessivo da voz em áudios e chamadas prolongadas
Baixa ingestão de água
Exposição constante ao ar-condicionado
Estresse e ansiedade
“Hoje, vemos uma sobrecarga vocal impulsionada pelo estilo de vida moderno. As pessoas usam a voz o tempo todo, mas raramente param para cuidar dela”, destaca.
Manter hidratação constante ao longo do dia
Evitar competir com ruídos do ambiente (elevar a voz nem sempre é a melhor estratégia)
Fazer pausas vocais ao longo da rotina
Evitar sussurrar - isso também sobrecarrega a voz
Procurar avaliação profissional diante de alterações que persistam por mais de 15 dias
A especialista reforça que a voz vai além da comunicação: ela está diretamente ligada à identidade, à autoestima e ao desempenho profissional. “A voz é a expressão que nos representa. Quando ela falha, não compromete apenas a comunicação — impacta a confiança e a forma como nos colocamos no mundo. Cuidar da voz é cuidar da própria presença”, conclui.
