O diagnóstico de intolerância ao glúten em 2015 mudou radicalmente a vida da psicóloga Daniela Brandi e poderia ser o começo de muitas outras histórias parecidas. Após um ano e quatro meses sofrendo com enxaquecas e dores intensas — que chegavam a ser confundidas com problemas ginecológicos —, a descoberta trouxe alívio, mas também um choque de realidade. “Naquele momento, você se dá conta do quanto o glúten está presente em alimentos e bebidas que nunca imaginou. Tive uma tristeza muito grande. Parte da socialização acontece com comida e bebida”, relata.
A partir daí, Daniela passou a sentir na prática como o convívio social pode ser ‘violento’ quando não há opções inclusivas. “Sentar-se em uma mesa e não comer é mais difícil do que parece. Em um coffee break, você encontra mil opções de farinha de trigo e nenhuma fruta. Colocar uma fruta, fresca ou seca, já inclui. É simples”, conta. Hoje, ela mantém uma rotina rigorosa de leitura de 100% dos rótulos e frequenta locais especializados em Rio Preto que garantem segurança contra a contaminação, o que se reflete diretamente em seu humor, sono e disposição.
Histórias como a de Daniela ajudam a entender a dimensão do impacto do glúten na vida de quem convive com restrições. Presente em cereais como trigo, centeio, cevada, malte e aveia, essa proteína é comum na alimentação cotidiana. Para a maioria das pessoas, seu consumo não traz prejuízos, mas para quem tem intolerância ou condições como a doença celíaca, ele pode provocar desconfortos gastrointestinais, inflamações e outros sintomas que afetam diretamente a qualidade de vida.
Nesse contexto, estar atento aos rótulos, compreender as próprias necessidades alimentares e buscar orientação profissional tornam-se passos fundamentais. Para quem convive com restrições, entender as diferenças entre as condições clínicas e os perigos da contaminação invisível é o primeiro passo para garantir saúde, segurança e qualidade de vida.
Doença celíaca e sensibilidade: entenda as diferenças
Embora os sintomas possam ser semelhantes, a origem das reações ao glúten varia drasticamente. Segundo a nutricionista integrativa Flávia Pinto César, a doença celíaca é uma condição autoimune onde o consumo da proteína provoca uma inflamação crônica que atrofia as vilosidades do intestino, comprometendo a absorção de nutrientes. Mesmo uma pequena quantidade de glúten consumida, pode causar sérios danos. O celíaco apresenta uma predisposição genética e a doença não é transmissível.
"A doença celíaca não é uma alergia, e vai além de uma intolerância alimentar comum; se manifesta por uma desordem grave e permanente ao glúten e, neste caso, o tratamento é a exclusão total", explica.
Já a sensibilidade ao glúten não celíaca caracteriza-se pela dificuldade do organismo em digerir a proteína, sem apresentar o diagnóstico autoimune ou a lesão intestinal grave. “O tratamento é a redução ou retirada do glúten para aliviar os sintomas e a gravidade varia de pessoa para pessoa”, diz Flávia.
A nutricionista Nathaly Russo complementa que a investigação adequada é essencial: "A exclusão indiscriminada do glúten, sem diagnóstico e orientação adequada, não traz benefícios comprovados para a população geral e pode, inclusive, comprometer a qualidade da dieta".


