Infarto e acidente vascular cerebral (AVC) costumam ser associados ao envelhecimento, mas os cuidados para evitar esses problemas não precisam e, em muitos casos, não devem começar apenas na terceira idade. Alterações que comprometem a saúde das artérias podem surgir décadas antes dos primeiros sintomas, enquanto fatores como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo aumentam progressivamente o risco cardiovascular.
É justamente esse o alerta do Setembro Vermelho, campanha de conscientização sobre as doenças cardiovasculares, que tem como marco o Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro. A proposta é chamar a atenção para a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de problemas como infarto, AVC e insuficiência cardíaca.
As doenças cardiovasculares permanecem entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Dados reunidos pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), citados em levantamento do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC), apontam cerca de 400 mil mortes por ano no país em decorrência de infarto, AVC e insuficiência cardíaca.
O cardiologista Luciano Miola, diretor do IMC – Instituto de Moléstias Cardiovasculares, de Rio Preto, centro de referência no interior paulista, afirma que os números mostram que o Brasil ainda perde a luta contra o infarto e o AVC. “Isso acontece porque grande parte dos fatores de risco — hipertensão, colesterol alto, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo — continua sendo diagnosticada tarde ou mal controlada. O check-up cardiológico regular e a mudança de hábitos permanecem as ferramentas mais eficazes para reverter essa curva.”
Um dos pontos de atenção neste Setembro Vermelho é justamente a ideia de que a saúde cardiovascular deve ser acompanhada antes do aparecimento de sintomas.
Dados apresentados no Congresso Europeu de Cardiologia (ESC 2026), realizado em agosto, reforçam essa preocupação. Uma pesquisa com 16.808 adultos entre 18 e 70 anos, sem doença cardiovascular aterosclerótica conhecida, identificou sinais silenciosos de aterosclerose em cerca de um a cada 13 participantes entre 18 e 29 anos. Entre os participantes de 60 a 70 anos, a proporção chegou a nove em cada dez.
A aterosclerose é caracterizada pela formação e pelo acúmulo progressivo de placas nas paredes das artérias. Ao longo dos anos, esse processo pode comprometer a circulação do sangue e aumentar o risco de eventos cardiovasculares.
Para Edson D'Ávila, coordenador da Cardiologia dos Hospitais Anchieta, os resultados mostram que a prevenção não deve começar apenas quando surgem sintomas. “O mais importante é identificar e controlar fatores como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo. Quanto mais cedo agirmos, menor tende a ser o impacto acumulado sobre as artérias”, avalia.
O processo pode permanecer silencioso por muitos anos. Por isso, conhecer indicadores básicos ajuda a identificar situações que merecem acompanhamento. Histórico familiar, alimentação inadequada, falta de atividade física e tabagismo também entram nessa avaliação. “Conheça seus números, como pressão, colesterol e glicemia, mantenha hábitos saudáveis e não espere o infarto ou o AVC para cuidar do coração. A aterosclerose pode se desenvolver silenciosamente durante décadas, e a prevenção precoce pode mudar essa trajetória”, afirma Edson D'Ávila.
