A busca por qualidade de vida tem transformado a maneira como as pessoas escolhem onde morar. Se localização, metragem e segurança continuam entre os critérios importantes na compra de um imóvel, aspectos como contato com a natureza, conforto ambiental, espaços para atividades físicas e ambientes de convivência também ganharam relevância. Nesse cenário, o conceito de wellness real estate, que propõe integrar o bem-estar à experiência de morar, amplia o olhar sobre o papel da arquitetura e do planejamento dos empreendimentos residenciais.
Val Ferreira, diretora comercial e de marketing da Costantini, destaca como fator principal desta mudança foi a pandemia, quando as pessoas passaram a permanecer mais tempo em casa e perceberam como os ambientes influenciam a rotina, o conforto e a saúde física e mental.
Desde então, a moradia passou a ser avaliada também pelas possibilidades que oferece para o autocuidado, o descanso e a convivência. “Quando as pessoas passaram a viver mais tempo dentro de casa, muita gente percebeu como os ambientes e as áreas de convivência influenciam o conforto, a rotina e a saúde física e mental. As pessoas passaram a ter mais consciência de como o lugar onde moram tornou-se importante nesse autocuidado", afirma Val.
No pós-pandemia, segundo Val, a preocupação com a saúde e a qualidade de vida passou a ter um peso maior nas decisões de compra. “As pessoas começaram a olhar não só para o imóvel, mas também para o que o empreendimento oferece para além do espaço privativo, como áreas verdes, academia, ambientes de convivência e espaços para relaxar.”
O movimento acompanha uma transformação mais ampla do mercado. “Não estamos falando de uma tendência restrita a um mercado local. Segundo o Global Wellness Institute, o segmento movimentou US$ 876 bilhões no mundo em 2025, sinalizando o interesse crescente por empreendimentos que colocam a qualidade de vida no centro do projeto”, afirma Val.
Para Ana Paula Quirino, diretora-geral da Costantini, incorporar o wellness a um empreendimento significa considerar não apenas a funcionalidade dos ambientes, mas também a maneira como eles acolhem os moradores e se relacionam com seu estilo de vida. “Na prática, isso se traduz em projetos que valorizam a amplitude dos ambientes, a iluminação natural, a ventilação, a privacidade e a conexão com o entorno”, explica.
O conceito de residências suspensas busca reunir a amplitude de uma casa à praticidade de um apartamento. No Casa Paulistano, empreendimento da incorporadora, varandas generosas ampliam a relação entre os espaços internos e externos, enquanto o paisagismo, o design de interiores e a presença de obras de arte contribuem para a experiência dos moradores. Segundo Ana, o paisagismo e os interiores complementam essa experiência ao integrar natureza, identidade e elegância de forma equilibrada. “A presença do verde aproxima os moradores da natureza e convida à desaceleração, enquanto a concepção dos ambientes busca criar uma sensação de pertencimento e conexão com o espaço.”
O bem-estar para além do condomínio
A integração entre empreendimento e cidade também faz parte dessa discussão. Em Rio Preto, onde a expansão urbana interfere nos deslocamentos e na dinâmica da rotina, a proximidade de escolas, centros de saúde, comércio, serviços e áreas verdes pode influenciar a qualidade de vida. Reduzir o tempo gasto no trânsito significa abrir espaço para outras atividades, como praticar exercícios, estar com a família e aproveitar melhor o tempo livre.
Na Hugo Fabbri Incorporadora, essa perspectiva aparece em projetos que associam localização, arquitetura, natureza, sustentabilidade, tecnologia e convivência. “O Matiz, no bairro planejado Reservas do Sul, é um exemplo dessa proposta.
O empreendimento reúne mais de 20 itens de lazer e conveniência, incluindo academia, piscinas, espaços gourmet, brinquedoteca, playground, lavanderia, pet place e ambientes destinados à convivência.
O projeto também incorpora soluções como sistema fotovoltaico, reaproveitamento de água e infraestrutura para carregamento de veículos elétricos”, afirma Hilton Hugo da Silva Fabbri, presidente da Hugo Fabbri Incorporadora.
Em outro empreendimento, o Cambuí Reserva da Mata, essa integração aparece também na proximidade com o Parque Urbano Fred Navarro, que oferece pista de caminhada, playground, espaços de contemplação e contato com a mata nativa preservada.
“Dentro do empreendimento, a estrutura inclui academia, piscina com borda infinita voltada para o parque, spa privativo, brinquedoteca, playground e espaços gourmet, entre outros ambientes. A relação com o parque amplia as possibilidades de atividades ao ar livre e mostra como o bem-estar pode ir além dos limites do condomínio, incorporando o entorno à experiência de morar”, afirma Fabbri.



