Durante seu tratamento de câncer de mama, a empresária e influenciadora Val Marchiori chamou a atenção para a importância da radioterapia contra a doença. A apresentadora venceu o câncer e seus relatos jogaram luz à terapia utilizada por milhares de mulheres, principalmente, após a cirurgia. Considerada como uma das principais aliadas ao combate ao câncer de mama, a radioterapia conta com equipamentos cada vez mais modernos e protocolos mais curtos para mais chances de cura e redução do risco de reincidência, além de mais conforto e segurança para as pacientes.
O especialista em câncer de mama e ginecológico e membro da Sociedade Brasileira e Europeia de Oncologia Clínica, Ângelo Bezerra, explica que a radioterapia utiliza radiação de alta precisão para destruir células doentes e reduzir o risco de retorno do câncer. No câncer de mama, em especial, Ângelo Bezerra, que também é oncologista da Rede Américas Oncologia, explica que a radioterapia é uma das estratégias mais importantes para aumentar as chances de cura da doença. “Diversos estudos demonstraram que ela reduz significativamente o risco de recidiva local e, em muitas situações, também contribui para diminuir o risco de morte”, ressalta.
A indicação varia conforme a paciente e o tumor. Segundo Ângelo Bezerra, “de forma geral, a radioterapia é recomendada para praticamente todas as pacientes que realizam cirurgia conservadora da mama, conhecida popularmente como quadrantectomia ou setorectomia”. Após a retirada completa da mama, o tratamento também pode ser necessário em casos de maior risco, “como tumores maiores, comprometimento dos linfonodos axilares ou margens cirúrgicas inadequadas”, cita.
Mais comum após a cirurgia, a radioterapia também pode ser utilizada em outras fases do tratamento e até para aliviar sintomas em casos graves. “Em pacientes com doença avançada ou metastática, a radioterapia pode desempenhar um papel importante no controle de sintomas como dor óssea, compressão nervosa ou metástases cerebrais”, explica Ângelo Bezerra. O médico afirma que, atualmente, muitas pacientes podem realizar o tratamento em três a quatro semanas e, em situações específicas, até mesmo em uma semana, “graças aos avanços dos esquemas hipofracionados”, afirma.
Embora seja considerada segura, a radioterapia pode provocar efeitos colaterais. "Os efeitos mais frequentes são vermelhidão da pele semelhante a uma queimadura solar leve, sensação de calor local, escurecimento da pele, cansaço e sensibilidade na região tratada", cita o especialista. A mensagem mais importante, no entanto, é que a radioterapia continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para aumentar as chances de cura do câncer de mama. “E, atualmente, realizada de forma cada vez mais segura, rápida e precisa”, destaca.
Alta precisão
O médico rádio-oncologista e coordenador do Serviço de Radioterapia do Hospital de Base, Renato José Affonso Júnior, explica que a radioterapia age sobre as células cancerígenas por dois caminhos. “Com ação direta da radiação com os componentes celulares, promovendo a morte celular”, afirma. A segunda forma é a indireta. “Por meio da quebra da molécula de água, promovendo a liberação de radicais livres que vão atuar no processo de morte celular”, explica o médico.
As várias sessões, segundo Renato José, permitem que o tecido sadio se recupere do efeito da radiação. O especialista destaca que recursos modernos, como VMAT (arcos volumétricos modulados), IGRT (radioterapia guiada por imagem) e a mesa robótica, também tornam o tratamento mais preciso e seguro, incluindo “a utilização de tomografia 4D voltada para radioterapia, na qual conseguimos avaliar o ciclo respiratório e entregar a radiação em determinada fase do ciclo celular, além dos sistemas de gerenciamento totalmente automatizados permitirem que a radioterapia se tornasse mais precisa e segura”.
Cada sessão dura, em média, 12 minutos, e o número de aplicações varia conforme cada paciente, podendo ficar entre cinco e 15 sessões. Antes do início do tratamento, é realizado um planejamento detalhado com exames de imagem para identificar com precisão as áreas que receberão a radiação e as estruturas que precisam ser preservadas. "A tomografia de simulação em tomógrafo dedicado e específico para radioterapia é fundamental para auxiliar e melhorar a qualidade do tratamento", afirma.
Segundo o coordenador do Hospital de Base, técnicas modernas também ajudam a proteger órgãos próximos à área tratada, como o coração. “Temos também os aceleradores lineares de partículas, que são extremamente precisos e avançados, promovendo a entrega de radiação de maneira segura e adequada, minimizando os efeitos nos tecidos sadios”, afirma.

