O uso prolongado de brincos pesados, traumas acidentais e até o envelhecimento natural podem deixar marcas visíveis nos lóbulos das orelhas. Rasgos, alargamentos dos furos e flacidez são algumas das alterações que têm levado cada vez mais pessoas a procurar a lobuloplastia, cirurgia plástica reparadora indicada para restaurar o formato natural da região.
Recentemente, o tema ganhou destaque nas redes sociais após a influenciadora e apresentadora Mari Gonzalez revelar aos seguidores que passou por um procedimento para corrigir um rasgo na orelha causado pelo uso de brincos. Ela contou que adiava o tratamento por acreditar que seria necessário se submeter a uma cirurgia mais invasiva. A experiência chamou a atenção para uma intervenção que é simples, rápida e realizada de forma ambulatorial.
De acordo com o cirurgião plástico Walfredo Fogaça, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a lobuloplastia é a cirurgia plástica destinada à correção de deformidades ou imperfeições no lóbulo da orelha. “Diferente de outras partes da orelha, o lóbulo é composto apenas por pele e gordura, sem sustentação cartilaginosa, o que o torna mais suscetível a traumas e ao envelhecimento. Ela é indicada principalmente para pacientes com fendas (rasgos causados por brincos), alargamentos indesejados de furos ou quando há uma flacidez excessiva que compromete a estética da face.”
Segundo Fogaça, a principal causa das deformidades é o uso contínuo de brincos pesados, que exercem tração sobre a pele ao longo dos anos. Entretanto, acidentes e características do processo natural de envelhecimento também contribuem para o problema. “As causas são variadas, mas a mais comum é o uso prolongado de brincos pesados, que exercem uma tração contínua e acabam ‘rasgando’ o tecido progressivamente (fenda parcial ou total). Outros fatores incluem: traumas agudos, quando o brinco é puxado bruscamente; uso de alargadores, que causam uma expansão tecidual que dificilmente regride sem intervenção; e envelhecimento, com perda de colágeno e volume, deixando o lóbulo mais fino, longo e murcho.”
Mais do que estética: os impactos do lóbulo rasgado
O crescimento da procura pelo procedimento também tem relação com questões emocionais e de autoestima. O cirurgião plástico Thiago Hayashi, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (ISAPS), observa que muitas pacientes relatam constrangimento causado pela aparência do lóbulo. “Sobre a lobuloplastia, realmente é um procedimento que tem crescido nos últimos tempos. E isso tem acontecido principalmente em mulheres, na faixa etária dos 25 até os 50, 55 anos, e pode parecer mais comum do que vocês imaginam.”
Segundo Hayashi, o perfil mais frequente é de mulheres que utilizam brincos maiores e mais pesados, o que favorece o surgimento das alterações. “Além da recuperação estética, a gente tem a questão da autoestima. Imagina em uma festa e alguém repara no lóbulo rasgado. A pessoa tenta disfarçar, começa a puxar cabelo, a puxar tudo para desviar a atenção daquilo. E deve ser muito constrangedor quando uma pessoa numa festa olha o seu lóbulo rasgado, fala: ‘Nossa, o que que aconteceu?’, começa a falar sobre aquilo e isso vai gerando, sabe, uma questão de perda da autoestima mesmo, constrangimento. Então, isso não é bom.”

