Outubro é o mês de conscientização do retinoblastoma, o câncer intraocular da infância que se desenvolve na retina e pode atingir um ou os dois olhos. A campanha é celebrada no dia 18, Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma, para incentivar pais e responsáveis a fazerem pelo menos um exame de vista nos bebês de até um ano para afastar o risco ou diagnosticar precocemente a doença, um dos cânceres mais frequentes até os 5 anos.
O diagnóstico precoce, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), é fundamental para aumentar as chances de cura e preservar a visão das crianças. A oftalmologista especialista em retina, Thaisa Silveira Barbosa, explica que retinoblastoma é o principal tumor intraocular primário da infância. “Ele se encontra na retina, que está no fundo do olho”, afirma. O diagnóstico, segundo a especialista, é realizado pelo exame de mapeamento de retina, “mas pode ser triado pelo teste do olhinho”, alerta.
A campanha nacional afirma que o retinoblastoma é um câncer que surge até os cinco anos de vida. O exame até 1 ano, como orienta o Ministério da Saúde (MS), segundo Thaisa Silveira, é essencial. “Serve tanto para o diagnóstico quanto para encontrar outras alterações que podem alterar o desenvolvimento visual na infância”, orienta.
Incidência
O médico oftalmologista Rafael Delsin afirma que o retinoblastoma é o câncer ocular mais comum em crianças – 3% dos cânceres infantis. “Entre 60% e 75% dos casos são esporádicos, ou seja, uma célula sofre mutação e passa a se multiplicar descontroladamente”, explica. A incidência, segundo o oftalmologista, é maior em lactentes e em crianças de até 5 anos de idade. “O principal sinal é a leucocoria (reflexo brilhante no olho doente, parecido com o brilho dos olhos dos gatos à noite) e o estrabismo também é frequente”, alerta.
Tratamento
As opções de tratamento, segundo Rafael Delsin, são baseadas principalmente no ‘tamanho’ da doença, com foco em impedir o crescimento do tumor para preservar o globo ocular e a visão. “Uma das opções mais modernas é a quimioterapia intra-arterial e, em casos mais avançados, podem ser submetidos a diferentes abordagens terapêuticas, como enucleação (remoção do globo ocular), laserterapia (laser), crioterapia (temperaturas baixas) e radioterapia”, explica o oftalmologista.
O sucesso do tratamento depende da fase em que o câncer é diagnosticado. “Quando o diagnóstico é precoce, a doença tem 90% de chances de cura, grande parte dos casos com preservação da visão”, afirma. No entanto, segundo Rafael Delsim, cerca da metade dos casos é diagnosticada tardiamente, “o que reduz as chances de cura”, diz.
Por isso, campanhas como a ‘De olho nos olhinhos’, com apoio do Inca, são tão importantes para salvar a visão de crianças. “Graças a esses tipos de campanhas, com mobilizações nacionais, milhares de famílias foram alertadas sobre os sinais da doença”, analisa o oftalmologista. “Mesmo sem sintomas, crie o hábito de levar as crianças ao oftalmologista uma vez ao ano, desde o nascimento”, recomenda.

