Aplicada preferencialmente ainda na maternidade, nas primeiras horas de vida do bebê, a vacina BCG é responsável por proteger as crianças contra as formas mais graves da tuberculose, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar, quadros infecciosos que continuam sendo um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo. A imunização faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e é recomendada para todos os recém-nascidos, com exceção de bebês prematuros com menos de dois quilos. Embora possa ser administrada até os 4 anos, 11 meses e 29 dias, a orientação do Ministério da Saúde é que seja aplicada o quanto antes, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que milhões de pessoas adoecem todos os anos por tuberculose. A pediatra e professora da Faculdade de Medicina Faceres, Gabriela Giglio, explica que a vacina não impede totalmente a infecção pelo bacilo da tuberculose, mas reduz significativamente o risco de evolução para quadros graves na infância. “A BCG é uma vacina extremamente importante porque protege o bebê justamente contra as formas mais graves da tuberculose, que podem causar sequelas neurológicas e até levar à morte”, afirma.
Por prevenir formas graves da doença, é que a vacinação é indispensável. “Orientamos que os pais mantenham a vacinação em dia e procurem a unidade de saúde caso a criança ainda não tenha recebido a dose”, reforça a médica. Gabriela Ribeiro, mãe da bebê Manuela, relata que foi essa orientação médica logo após o nascimento da filha que foi decisiva para que a bebê fosse imunizada na maternidade. "Quando a pediatra explicou por que a BCG é tão importante nos primeiros dias de vida, não tivemos dúvidas. "A Manuela recebeu a vacina ainda na maternidade e isso nos deu a certeza de que ela estava começando a vida da melhor forma possível", afirma.
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A vacina BCG, na maior parte dos casos, desenvolve uma cicatriz de até um centímetro de diâmetro no braço direito, como uma mancha vermelha que evolui para uma pequena ferida e depois cicatriza. “É uma resposta esperada do organismo e costuma surgir algumas semanas após a aplicação”, afirma Gabriela Giglio. A revacinação de crianças sem cicatriz, segundo o Ministério da Saúde, não é mais recomendada desde fevereiro de 2019.
Outras reações também podem ocorrer, como úlceras, gânglios (popularmente chamados de ínguas) ou abscessos na pele e disseminação do bacilo Calmette-Guérin, que é uma forma enfraquecida da bactéria que causa a tuberculose. “Vale procurar a unidade de saúde em caso de dúvidas sobre a cicatrização ou situações específicas que exijam orientação médica”, orienta a especialista.
Tuberculose
O diretor técnico do Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de Rio Preto, Otávio Franco, explica que a tuberculose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, com transmissão pelo ar por meio de partículas respiratórias oriundas de pessoas com a doença ativa. “A forma mais comum acomete os pulmões e pode causar tosse persistente, febre, sudorese noturna, perda de peso, redução do apetite e cansaço”, cita. Quando não diagnosticada e tratada no tempo ideal, a infecção pode evoluir. “Pode atingir cérebro, ossos, rins e linfonodos”, alerta.
O maior risco no caso das crianças, segundo o médico, é para menores de cinco anos e, em especial, nos primeiros anos de vida, com o sistema imunológico ainda em desenvolvimento. “Nesses casos, podem ocorrer formas graves, como a meningite tuberculosa, que pode deixar sequelas neurológicas permanentes, incluindo alterações cognitivas, déficits motores, perda auditiva e epilepsia, além da tuberculose miliar, uma forma disseminada que pode ser fatal”, reforça.
Por isso, segundo Otávio Franco, a vacina BCG é uma das principais estratégias de proteção da infância. “O objetivo é prevenir justamente essas formas graves da doença, contribuindo de maneira expressiva para a redução da mortalidade infantil por tuberculose”, destaca.
Prevenção
O controle da tuberculose depende também de uma combinação de diferentes estratégias, de acordo com o médico do HCM. “A vacinação protege as crianças contra as formas graves da doença, mas a principal forma de interromper a transmissão da tuberculose é identificar precocemente as pessoas doentes e garantir o tratamento adequado”, recomenda.
Na maior parte dos casos, segundo Otávio Franco, as crianças adquirem a infecção por contato próximo e longo com um adulto doente e, geralmente, em casa. “Quando esse adulto é diagnosticado rapidamente e inicia o tratamento, a transmissão do bacilo diminui de forma significativa, reduzindo o risco de adoecimento dos contatos, especialmente dos lactentes e das crianças pequenas”, alerta.
Por isso, além da imunização com vacina BCG, o médico ressalta que procurar por casos, investigar contatos, ter diagnóstico cedo e tratamento completo são importantes para prevenção e controle da tuberculose. “Essas medidas, recomendadas pelo Ministério da Saúde, são essenciais para reduzir a circulação da doença na comunidade e proteger as crianças, que representam um dos grupos mais vulneráveis às suas formas mais graves”, reforça.

