O Agosto Branco, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de pulmão, chama a atenção para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do combate ao principal fator de risco da doença: o tabagismo. Apesar do alerta, especialistas ressaltam que a doença também pode atingir pessoas que nunca fumaram e adoecem por fatores ambientais, como a poluição, doenças pulmonares ou fatores genéticos. O diagnóstico precoce é considerado primordial para a cura.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimam que em torno de 30 mil novos casos de câncer de pulmão são diagnosticados anualmente no país. A médica oncologista do Centro Oncológico da Unimed Rio Preto, Carla Ferreira, afirma que o principal fator de risco para o câncer de pulmão é o tabagismo. “Cerca de 85% dos casos estão relacionados ao cigarro, incluindo o cigarro eletrônico e a exposição passiva à fumaça (tabagismo passivo)”, explica.
Depois do cigarro, a especialista reforça que há outros fatores importantes, como a poluição. “A poluição do ar é considerada um fator de risco para o câncer de pulmão e foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como carcinogênica”, alerta. Embora o risco seja muito menor do que o causado pelo cigarro, Carla Ferreira explica que a exposição prolongada à poluição pode contribuir, especialmente em grandes centros urbanos. “Por isso, além de não fumar, reduzir a exposição à poluição sempre que possível também faz parte da prevenção”, orienta.
A exposição a substâncias cancerígenas também causa o câncer de pulmão, “como amianto, sílica e radônio”, cita em referência a indústrias de cimento, telhas, demolições, mineração, pedreiras, cerâmicas, olarias, entre outras. “Ter doenças pulmonares crônicas ou histórico familiar da doença também pode aumentar o risco”, complementa a médica.
E quem nunca fumou ou não ficou exposto a substâncias cancerígenas, também pode ter a doença? “Nesses casos, a doença pode estar relacionada à combinação de fatores ambientais, predisposição genética e alterações (mutações) que ocorrem naturalmente nas células ao longo da vida. Por isso, o diagnóstico não deve ser descartado apenas porque a pessoa nunca fumou”, alerta Carla Ferreira.
Diagnóstico
O cirurgião torácico do Hospital de Base (HB), Isaque de Faria Soares Rodrigues, lista os principais sintomas do câncer de pulmão, principalmente, na população tabagista: “Piora na falta de ar, falta de ar crescente, tosse, tosse com presença de sangue e perda de peso. Esses são os principais sintomas quando a doença já está se manifestando”, explica. Já o diagnóstico precoce, segundo o cirurgião, passa, principalmente, pela tomografia. “Se for no rastreamento, tomografia de tórax de baixa dose de radiação, caso o paciente esteja apresentando sintomas, o ideal é fazer um exame completo já para fazer o diagnóstico”, recomenda.
Este atendimento primário, segundo o especialista do HB, é primordial para a cura do tumor. “Isso, sem dúvida, é um dos fatores que mais vai mudar a chance de tratamento e a chance de cura da doença. Quando diagnosticada na fase inicial, a gente pode oferecer cirurgia ou radioterapia ou mesmo quimioterapia combinada com as chances de cura”, afirma.
Tratamento
O melhor tratamento hoje para o câncer de pulmão, de acordo com Isaque Rodrigues, é a cirurgia. “Embora a gente possa associar a quimioterapia antes, quimioterapia depois, além das variedades de quimioterapia que a gente tem disponível, como imunoterapia e terapia-alvo”, ressalta. A radioterapia também pode fazer parte do tratamento. “Há métodos de radioterapia que a gente pode fazer, como uma ablação com radioterapia do tumor, mas geralmente em tumores iniciais”, explica.
Prognóstico
O prognóstico sobre como o tratamento vai evoluir, segundo o médico oncologista Nelson Morozini, varia de acordo com o estágio da doença, o tipo de tumor, as características do próprio câncer, as condições de saúde do paciente e a resposta ao tratamento. “Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maior é a possibilidade de cura. Nos últimos anos, a imunoterapia e as terapias-alvo melhoraram significativamente os resultados, inclusive para alguns pacientes com doença avançada”, reforça.
O câncer de pulmão tem cura? “Sim. O câncer de pulmão pode ter cura, principalmente quando é descoberto em uma fase inicial, antes de se espalhar para outros órgãos”, afirma o oncologista. Segundo o médico, quando a doença já está mais avançada, a cura é menos frequente, “mas os tratamentos atuais podem controlar o câncer por bastante tempo, aliviar os sintomas e preservar a qualidade de vida”, complementa.


