Conhecido como ‘bed rotting’, expressão em inglês que no sentido literal quer dizer ‘apodrecer na cama’, o hábito de passar horas deitado, rolando geralmente a tela do celular com séries ou simplesmente sem fazer nada, tem ganhado força entre jovens da Geração Z como uma forma de aliviar o estresse e a pressão dos dias modernos. Embora possa significar um breve momento de descanso e autocuidado, especialistas alertam que, quando esse hábito se torna rotina, o comportamento pode indicar esgotamento emocional, excesso de telas e um sinal de alerta para ansiedade, depressão e prejuízos à saúde física, mental e ao sono.
O mestre em psicologia clínica Dorival Alonso Junior explica que o chamado ‘bed rotting’ ou ‘apodrecer na cama’ é a prática de passar longos períodos deitado acordado para realizar atividades passivas. “Para comer, assistir series e, principalmente, mexer no celular”, afirma. Hábito que segundo o mestre já vem sendo investigado desde o século passado. “Fenômeno que, provavelmente, tenha se agravado pelo celular que conecta as pessoas ao mundo, aos jogos, as séries, entre outros”, cita.
O médico psicanalista de saúde mental e professor da Faculdade de Medicina FACERES, Augustus Cézar Polimeno, orienta quando passar muito tempo na cama é apenas descanso. “Quando a pausa é intencional e necessária para recuperação física e mental, geralmente associada ao sono, relaxamento ou lazer pontual, como ler ou assistir a algo por um período limitado”, explica. Já quando o jovem fica muito tempo deitado, sem dormir, sem produtividade e sem prazer real, há um sinal de alerta para ‘bed rotting’.
Diferentemente do descanso, segundo o psicanalista, o ‘bed rotting’ não gera recuperação. “Gera sensação de culpa, estagnação e cansaço contínuo por permanecer deitado sem dormir, sem produtividade e sem prazer real, muitas vezes como forma de evitar tarefas, responsabilidades ou interações sociais”, alerta o médico. Segundo o especialista, diferente do descanso, o ‘bed rotting’ não gera recuperação, “mas sensação de culpa, estagnação e cansaço contínuo”, afirma.
Um dos principais critérios para diferenciar os comportamentos, segundo psicanalista, é a duração e a frequência do período na cama. No descanso saudável, segundo o especialista, é ficar deitado por 20 minutos a uma hora acordado, “em momentos pontuais, especialmente após dias intensos, finais de semana ou em períodos de recuperação física”, esclarece. Já no ‘bed rotting’, a pessoa passa várias horas seguidas ou grande parte do dia na cama. “Passa acordada, rolando a tela do celular, assistindo conteúdos de forma automática, adiando compromissos e repetindo esse padrão por dias”, ressalta. Comportamento que, segundo Augustus, é preocupante. “Um sinal de alerta é quando isso começa a interferir no trabalho, nos estudos, na higiene pessoal e na vida social”, reforça.
Prevenção
Os impactos do ‘bed rotting’ podem ser prejudiciais, mas também evitáveis. O primeiro passo, segundo o médico, é estabelecer limites entre descanso e fuga. Ele orienta que “definir um tempo para relaxar na cama e, ao final, levantar-se, mesmo sem motivação, ajuda a quebrar o ciclo”, afirma. Criar uma rotina mínima, como horários para acordar, se alimentar e se movimentar também é fundamental.
Em casos de desânimo constante, ansiedade ou sensação de vazio, pode ser um sinal de sofrimento psíquico e precisa de ajuda de um profissional. “Como estresse crônico, ansiedade ou depressão”, alerta. Atividades simples fora da cama também são fundamentais. “Caminhar, tomar sol ou conversar com alguém ajudam a regular o humor e a energia, prevenindo que o ‘bed rotting’ deixe de ser um hábito pontual e se torne um padrão prejudicial”, orienta.

