Rosas nascem no meu jardim,
Vermelhas como teus lábios.
Pingos da chuva a regam,
Assim como as lágrimas que vi escorrerem por teu rosto.
O vento leva o doce aroma floral,
Traz até minha janela a felicidade,
Como um dia ensolarado de brisa.
Que você sempre soube que são meus dias favoritos.
Folheio a página do livro sem qualquer pretensão,
Quando vejo uma borboleta amarela,
Que pousa no nosso jardim,
Onde semeamos planos e nosso amor.
Ele floresceu de forma bela, aprendi a plantar com você.
Mas, infelizmente, não estás mais comigo para corrigir meu plantio.
Me sinto feliz ao ver três flores específicas,
Observo-as com atenção.
A margarida que plantamos juntos, murchou;
Sufoquei-a demais com minhas águas.
Olho ao lado, vejo então a petúnia de quando nos conhecemos,
Suas folhas estão escassas, completando seu ciclo de vida anual,
encerrando aquele momento,
Era necessário.
Caminho mais pelo jardim, buscando mais;
Encontro a orquídea que você me ensinou a colocar no sol,
Vejo como está bela e radiante.
Assim como o sol na manhã em que te vi.
Perambulo pelo local, sinto meus pés tocarem a grama,
E encontro os lírios que plantei após sua ida,
Reguei-os com saudade e muito amor,
Reguei-os com ressentimento e raiva,
Conversei com eles pois eram aqueles que me ouviam nas noites escuras e
guardavam segredos,
Cantei para que crescessem belos,
Aprendi a cuidá-los sozinha.
Aprendi a curá-los sozinha.
E logo então, me sento no balanço.
Balanço e penso em nosso jardim,
Sou muito grata por todas as flores plantadas aqui,
Mesmo que quem me ensinou a plantá-las,
Já não plante mais comigo.
