Eu pedi a Maria um milagre,
e ela me respondeu: tu és o milagre.
Pedi a cura da lepra,
e ela me disse: aqui tudo é transitório;
onde habitarás na eternidade,
a doença não existe — segue firme.
Pedi uma cama quente,
e ela sorriu: dei-te um coração aquecido,
capaz de vencer a noite mais fria.
Pedi para matar minha fome,
e ela me saciou —
não apenas de pão,
mas de sentido.
Pedi carinho,
e ela me deu pessoas —
para que eu aprendesse
que o afeto se constrói,
não se pede.
Pedi fé,
e ela me respondeu: estás vivo pela vontade de Cristo,
e não há fé maior que esta.
Pedi sabedoria,
e ela me confiou duas filhas —
para orientar, amar e aprender a conduzir.
Pedi força,
e ela me deu desafios —
daqueles que exigem mais do que músculos: exigem alma.
Pedi um sinal
quando a fé faltar,
e ela exalou seu perfume de rosas,
lembrando: estou aqui.
Pedi vida…
e ela me fez passar por todos os estados:
solteiro, casado, viúvo…
para que eu entendesse, enfim,
que viver não é permanecer —
é transformar-se.
Pedi amor…
e ela me entregou seu Filho na cruz —
e sangrou junto.
