A mancha de batom
impressa na camisa,
a garrafa de vinho
divorciada da rolha
os trajes de belezas tantas
na mala guardados
companheiros de viagens:
Tudo é daqui!
O sorriso na fotografia
registro de felicidade instantânea
a anel exilado do dedo
o zinabre nas abotoaduras
a marca do cabide agarrada
no colarinho daquela camisa:
Tudo é daqui!
A voz ouvida no áudio,
no rádio, no sussurro,
aquela nostalgia momentânea.
O cântico entoado
no altar, na ópera,
na seresta ou na floresta
a soprar a alegria das aves:
Tudo daqui, aqui!
A alma, esta
flui ao etéreo.
