Dizem
Poesia na CidadeDizem
Minha alma observa o céu de meu outono,
obnubilada por lembranças.
Passeia no ar à procura do colo materno,
do assobio paterno em valsas de Strauss,
de histórias ouvidas à hora de dormir,
das vozes das irmãs,
heroínas de vidas ainda rascunhadas.
São muitas as tristezas escondidas.
São tantas as dores guardadas.
São intensas as perdas havidas.
Com seus pesos amassam
as alegrias possíveis que não conseguem emergir,
as realizações esquecidas em publicações
(que ninguém guardou exceto eu mesma!),
as vitórias festejadas a sós.
Mas me dizem que o céu é azul.
Então, levanto a cabeça
e, em meio à chuva,
decido de novo acreditar nas pessoas,
não sei até quando.