Não entendo por que ser mulher é sofrer,
Por que meu corpo é algo a temer,
Por que o desejo insiste em não florescer.
Por que minha boca tem que se calar,
Por que meus gestos não podem voar,
Por que minhas escolhas querem controlar.
Não entendo por que minha vida se prende,
A regras que homens criam, que me defendem?
Ou será que só querem o prazer que os entende?
Meu corpo grita, quer se libertar,
Meu tesão é fogo a brilhar no olhar,
O que eu digo é força a ecoar,
O que eu penso não vão calar.
Não me ponha em normas, não me limite assim,
Não defina as regras só para mim.
Respeite minha vida, minha voz, meu sentir,
Pois eu (Re)sisto — só por existir.
