Na visão do espírito vejo o espelho,
ora retilíneo, ora convexo
ora côncavo,
são imagens, refletidas,
lindas imagens,
esguias, bonitas,
agora distorcidas, tortas,
feias imagens.
Vejo paisagens de outrora,
imagens do presente,
tão diferentes,
encurvadas pelo tempo
na experiência da dor moral,
da vida pendurada no varal do tempo.
Espelhos. São espelhos,
agora quebrados, em pedaços
no chão da esperança, são pedaços.
Quantas imagens fragmentadas,
pedacinhos sobre pedaços,
imagens sobrepostas,
lembranças entrelaçadas,
imagens pequenas no tempo
da experiência dividida.
Imagens de olhos, muitos olhos,
imagens de uma alma, uma alma,
pedaços dos sentimentos, muitos,
uma vida, dividida,
uma vida no espelho, em pedaços,
uma esperança, falecida,
uma vida que jaz no leito.
Os espelhos quebrados no chão,
A vida em pedaços, lançados no espaço.
