Que pena da vida,
Quando a morte acampa,
E ainda nem era tempo,
De repousar no esquife frio.
Ah, para quem partiu, minha pena,
Foi alma que o amor apagou.
Fico aqui, petrificado
Insólito dentro de mim.
A vida é tão simples,
Nós que complicamos.
O tempo não espera,
As feridas cicatrizarem.
Triste é um velório,
Mais triste, o velório dos vivos.
Os que desistem de sonhar,
E apenas sobrevivem.
A morte dói,
A ausência grita.
Sangra sem deixar vestígios,
A vida se enrosca e complica.
Morte e eutanásia — irmãs,
De mãos dadas seguem caladas.
Mortificando pecados e falhas…
Que pena, falta esperança.
A morte é um mistério,
E quando chega encerra a vida.
Pena mesmo é dos que morreram
Mas ainda não se foram.
