Gatos, cães e outros animais têm uma relação extraordinária com as pessoas ao redor do mundo. Desde sempre, os bichinhos se tornaram não apenas animais de estimação, mas verdadeiros integrantes da família. A convivência com eles proporciona muitos benefícios e pode influenciar a saúde física e emocional, ajudar a criar uma rotina, estimular o contato com ambientes externos e fortalecer vínculos afetivos.
Bruna Maria, produtora de eventos e influencer, afirma que a convivência com os gatos, por exemplo, faz parte da rotina e da própria definição de lar. Todos os animais que passaram pela sua vida foram adotados e, com eles, construiu vínculos marcados por carinho, cuidado e companheirismo. “Só quem tem sabe o amor. Eu falo que, quando o Gael Henrique estava doentinho, eu disse que venderia meu carro para dar o melhor tratamento para ele. Porque o amor é incondicional, é realmente meu filho”, conta, emocionada, ao lembrar do gato que morreu.
A presença dos animais também proporciona momentos de tranquilidade e acolhimento no dia a dia. “Eu passo o dia falando: ‘Meu Deus, não vejo a hora de chegar em casa'. Dou um cheiro nos meus filhos. Sabe aquela paz que se sente? É isso que eu falo que é o meu lar”, afirma. Hoje, Bruna tem três gatinhos: Zeca Henrique, Gaia Maria e Mel Maria.
Para Bruna, compartilhar essa experiência também é uma forma de mostrar às pessoas que ainda têm preconceito com gatos a intensidade do vínculo que pode ser criado com esses animais. “É um amor que eu tenho e que eu quero compartilhar, principalmente para que as pessoas possam sentir isso no coração e conhecer o amor que existe na adoção.”
A médica-veterinária Pillar Gomide do Valle, professora do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Arnaldo Janssen, em Belo Horizonte, explica que a relação afetiva estabelecida entre pessoas e animais tem reflexos importantes no bem-estar. “A convivência com animais tem impacto direto e consistente na saúde física e emocional das pessoas. A literatura científica mostra que a relação afetiva estabelecida entre pessoas e seus animais contribui para a redução do estresse, da ansiedade e da sensação de solidão, além de favorecer o bem-estar geral e a qualidade de vida.”
Segundo Pillar, o animal também pode funcionar como um facilitador para que o tutor saia de casa, se movimente e tenha contato com outras pessoas e com o ambiente externo. “Quando o responsável está passeando com seu cachorro, por exemplo, ele é naturalmente exposto a situações que estimulam interação social, deslocamento físico e contato com diferentes ambientes. Em um contexto em que grande parte da rotina ocorre dentro de casa e diante de telas, esse simples ato de sair com seu animal se torna um recurso valioso para ampliar a conexão com o mundo externo.”
A médica-veterinária Thayná Neves Cardoso, professora da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), especialista em Fisioterapia, Reabilitação e Acupuntura Veterinária, destaca o papel da convivência na redução da solidão e na construção de vínculos. “A convivência com um animal traz companhia, rotina, contato físico e uma sensação muito importante de pertencimento: existe alguém ali esperando por você, interagindo e fazendo parte do seu dia.”
Ela explica que o contato positivo com os animais também está relacionado à liberação de substâncias associadas ao vínculo e ao bem-estar. “O contato positivo com os animais também está relacionado à liberação de ocitocina, ligada ao vínculo e à sensação de bem-estar, além de poder contribuir para a redução do estresse.”
Mas, para Thayná, a importância dessa relação não se resume aos efeitos fisiológicos. “Eu gosto de falar que vai além da questão hormonal. O animal nos traz muito para o presente. Ele não está preocupado com o que aconteceu ontem ou com o que vai acontecer amanhã. Ele quer o passeio, o carinho, a brincadeira, estar perto. E essa troca cria vínculo, propósito e afeto.”

