Passar dos 80 anos com autonomia, lucidez, mobilidade e participação ativa na sociedade compõe um grupo chamado de ‘superidosos’ que desafiam o envelhecimento e despertam o interesse da Ciência. Mas, afinal, o que leva a ser um ‘superidoso’? Especialistas afirmam que, embora a genética tenha influência, fatores como atividade física, alimentação saudável, vínculos sociais, saúde mental e propósito de vida construídos ao longo das décadas são determinantes para envelhecer com qualidade de vida, independência e saúde cognitiva em dia.
A médica geriatra da Atenção Integral à Saúde da Unimed Rio Preto, Aline Zazeri Leite, explica que os chamados ‘superidosos’ são pessoas que alcançam idades muito avançadas, mantendo um nível de saúde, autonomia e funcionalidade acima do esperado para a faixa etária. “Mais do que simplesmente viver muitos anos, são indivíduos que conseguem preservar a independência nas atividades do dia a dia, a mobilidade, a capacidade cognitiva e, muitas vezes, uma vida social ativa”, afirma.
Mas o que diferencia esse grupo de idosos dos demais? “O que diferencia esses indivíduos é, principalmente, a capacidade de manter a funcionalidade e a autonomia apesar das mudanças naturais do envelhecimento”, esclarece Aline Zazeri. Processo que, segundo a médica geriatra, é resultado da combinação de fatores. “Fatores genéticos, estilo de vida, condições de saúde, ambiente e aspectos sociais e emocionais”, enumera a especialista.
E qual a idade que classifica os ‘superidosos’? “Não existe uma idade única e universal que defina”, afirma Aline Zazeri. “Quando falamos em longevidade excepcional, geralmente estamos nos referindo a pessoas que chegam aos 90 anos ou mais, especialmente os centenários”, complementou a especialista. Já em estudos sobre cognição, segundo a médica, o termo também pode se referir a pessoas mais velhas que apresentam uma preservação excepcional da memória e de outras funções cognitivas.
Por isso, segundo Aline Zazeri, a classificação não deve olhar apenas para a idade pelos anos de vida. “A idade é um marcador importante, mas a forma como a pessoa envelhece é ainda mais relevante. Manter autonomia, mobilidade, força muscular, capacidade cognitiva e participação social são aspectos fundamentais para um envelhecimento saudável”, destaca. O grande objetivo da longevidade, segundo a especialista, não é apenas viver mais, mas viver mais e melhor, “preservando a independência e a qualidade de vida pelo maior tempo possível”, afirma.
O mestre e doutor em neurociências e pós-doutor em psiquiatria pela Unifesp, Gerardo Maria de Araújo Filho, afirma que envelhecer saudável, sem perdas musculares, cognitivas, auditivas e visuais, passa por uma série de fatores. “A gente sabe que uma vida social ativa ajuda muito, porque um dos grandes problemas associados ao envelhecimento é o isolamento social”, afirma. Outro fator é preservar o propósito. “Cada fase da vida encontramos um sentido e o importante não é só manter um propósito, pois cada fase demanda um objetivo e a resiliência está em como eu consigo manter novos objetivos e novos propósitos e ir adaptando”, afirma.
Cuidados que o doutor afirma que devem ser iniciados na juventude. “O processo começa por volta dos 40 anos, quando é preciso se preocupar com o peso, questão do sobrepeso, controle das taxas de colesterol, triglicerídeos, glicemia, manter rotina de atividades físicas, alimentação saudável, cuidar dos relacionamentos”, explica. Segundo o médico, é como um jardim. “O idoso é resultado da vida de alguém”, alerta. O psiquiatra reforça que o ‘superidoso’ foi um ‘superjovem’. “Que se cuidou, cuidou da alimentação, controlou o uso de álcool, tabaco, manteve-se cognitivamente ativo, fisicamente ativo, controlou as taxas e todas essas coisas”, conclui.

