Você deita, apaga a luz e o corpo até pede descanso, mas a mente insiste em continuar na ativa: revive conversas, faz listas, antecipa problemas e transforma a cama em uma extensão do escritório ou das preocupações. Por outro lado, uma série de recursos como cobertores pesados (weighted blankets), aromaterapia, ruído branco, máscaras para os olhos, meditações guiadas, aplicativos de sono e outros hábitos simples ganham popularidade contra ansiedade e melhoram a qualidade do sono.
O neurocirurgião do Centro do Cérebro e Coluna e professor de Neurocirurgia da Famerp, Eduardo Silva, explica por que cada um dos recursos ajuda para um descanso de verdade. No caso da aromaterapia, com lavanda, camomila, cedro, ylang Ylang ou bergamota, segundo o especialista, melhora a qualidade do sono porque a impregnação do aroma pelo olfato promove um efeito sedativo, relaxante e calmante de forma rápida e muitas vezes eficaz. “O efeito calmante diretamente no sistema límbico — região do cérebro que controla as emoções, pode promover a indução do sono”, explica.
A música relaxante, com sons clássicos, jazz suave e sons da natureza, tem também, segundo o neurocirurgião, a capacidade de promover a produção de hormônios que acalmam a mente. “Hormônios como a ocitocina, serotonina e melatonina, ao mesmo tempo que reduzem a produção de cortisol e adrenalina, hormônios estimulantes”, afirma. “Isto propicia efeito calmante, relaxante e indutor do sono”, complementa.
A meditação, segundo o especialista, tem o poder de melhorar o sono porque desativa o sistema simpático – a resposta de lutar ou fugir, responsável pelos hormônios do estresse, como cortisol e adrenalina. “Ao mesmo tempo que estimula o sistema parassimpático, responsável pela produção de hormônios que relaxam, acalmam, induzem ao sono e dão prazer, como a serotonina, a melatonina e dopamina”, afirma.
Já o uso da coberta pesada, segundo o neurocirurgião, ajuda a sentir um afago, “propiciando a sensação de conforto, calma, relaxamento e mesmo segurança”, destaca. O cobertor pesado, de acordo com Eduardo Silva, deve equivaler de 10 a 15% do peso corporal e ficar distribuído sobre o corpo. “O cobertor tem o poder de melhorar o sono porque a pressão exercida sobre o corpo exerce pressão nas vias sensoriais da pele e é sentida como um ‘aconchego ou abraço’, por sinalizar ao sistema nervoso o modo descanso, o que é capaz de reduzir a ansiedade, o estresse, relaxar e acalmar”, detalha.


