O Brasil está envelhecendo em ritmo acelerado e Rio Preto acompanha essa transformação demográfica com envelhecimento acima da média nacional. Mudança que, na medida em que cresce o número de idosos, aumenta também os desafios enfrentados pelas famílias para garantir qualidade de vida, segurança e bem-estar para seus idosos e idosas. Nesse cenário, instituições especializadas, como a Cuidando de Idosos – Casa de Repouso, em Rio Preto, deixam de ser vistas apenas como locais de assistência e passam a desempenhar um papel fundamental no acolhimento à pessoa idosa, tema desta série da Bem-Estar.
A especialista em cuidados com idosos, pós-graduada em gerontologia e CEO do Grupo CDI (Cuidando de Idosos), Diainy Castro Mendonça, ressalta que o envelhecimento da população exige um olhar mais amplo, muito além do cuidado. Segundo ela, embora muitos residentes da instituição apresentem quadros complexos de saúde, especialmente doenças neurodegenerativas como Alzheimer e outras demências, o suporte emocional é indispensável. “O ideal é o equilíbrio: o cuidado técnico de saúde deve caminhar lado a lado com um suporte emocional humanizado para o idoso e sua rede de apoio”, afirma.
A experiência da casa de repouso Cuidando de Idosos mostra que a institucionalização raramente é a primeira opção das famílias. Na maioria das vezes, a decisão acontece depois de tentativas frustradas de manter cuidados em casa ou de administrar equipes de cuidadores. Quando a demanda ultrapassa a capacidade familiar, a instituição passa então, segundo Diainy, a ser uma alternativa para garantir segurança, acompanhamento especializado e qualidade de vida.
Acolhimento emocional que também precisa ser oferecido à família da pessoa idosa institucionalizada. “É fundamental compreender que os familiares precisam de tanto acolhimento quanto os idosos. A institucionalização envolve situações complexas, e a decisão é extremamente difícil, pois perpassa questões emocionais, culturais e socioeconômicas”, ressalta a CEO.
Segundo Diainy Castro, um dos aspectos mais delicados do processo de institucionalização é o sentimento de culpa enfrentado por muitos familiares pela forte barreira cultural em torno das casas de repouso, frequentemente associadas à ideia de abandono. “Precisamos desmistificar isso: são ambientes com profissionais qualificados, estrutura preparada e segurança para o bem-estar do idoso”, reforça.
Com o passar do tempo, porém, de acordo com a CEO, as famílias costumam compreender que não estão abrindo mão do afeto, mas transferindo a responsabilidade dos cuidados para profissionais capacitados. “O amor mantém-se presente através das visitas, da troca de carinho e do convívio de qualidade, agora livre do estresse que a gestão dos cuidados em casa causava”, destaca.
Portanto, segundo relata Diainy Castro, a institucionalização de um familiar idoso ou idosa é, em muitos casos, o último recurso. “Geralmente, a família já tentou cuidar do idoso em casa sem sucesso ou tentou gerir cuidadores domiciliares e percebeu que a administração dessa logística tornou-se inviável”, conta. Nesses casos, segundo a CEO, a casa de repouso surge como uma alternativa necessária. “Necessária para garantir a segurança e a qualidade de vida do idoso”, complementa.
Principais demandas
A busca por uma casa de repouso, de acordo com Diainy Castro, é intensificada, principalmente, quando o idoso recebe um diagnóstico de doença neurodegenerativa, como Alzheimer ou outros tipos de demência. “São condições que exigem um nível de monitoramento e técnica que o ambiente doméstico, muitas vezes, não consegue prover”, afirma.
Ao chegar na instituição, a pessoa idosa passa por uma avaliação inicial detalhada com a família, para que os profissionais mapeiem costumes, hábitos e preferências daquele idoso ou idosa. “Essas informações são integradas à rotina da casa para mantermos, ao máximo, sua autonomia”, afirma a CEO. “Além disso, promovemos estímulos cognitivos constantes por meio de atividades semanais planejadas”, completa.
Escola de vida.
Questionada sobre quais ensinamentos obteve até aqui sobre o tema ‘envelhecer bem’, a CEO responde que os idosos e idosas “são a verdadeira escola de vida”. Aprendizado diário pela diversidade de histórias. “Alguns sorridentes e gratos, outros mais resistentes”, relata. Segundo a CEO, as trajetórias de cada um revelam que o envelhecer é reflexo das escolhas do passado, “tanto as de superação quanto as de dor”. E, de todas elas, ensinamentos: “aprendi que, mesmo diante das dificuldades, a escolha de sorrir e a qualidade de vida futura dependem de como cuidamos de nós mesmos hoje, mantendo-nos ativos e conectados” .

