Geleias e compotas artesanais unem sabor, memória afetiva e ingredientes selecionados em um mercado que cresce impulsionado pela valorização de alimentos mais naturais menos industrializados
Geleia de frutas vermelhas Sabor Árabe com prato mediterrâneo que leva cream chease e camarões (Divulgação)
O consumo de produtos artesanais e menos industrializados tem impulsionado produtores de geleias e compotas em Rio Preto. Feitas em menor quantidade, com maior concentração de frutas, sem conservantes e sabores autorais, as produções conquistam consumidores que buscam qualidade, originalidade e uma relação mais próxima com quem produz.
Para o café da manhã e da tarde, as geleias artesanais e compotas acompanham pães e torradas, mas também tábuas de frios e carnes em um churrasco entre amigos. Em meio a esse movimento, histórias pessoais e afetivas também ajudam a explicar o crescimento do segmento.
Carla Colombo, fundadora da Vendinha Agridoce, entrou no universo das geleias de maneira despretensiosa. Há mais de 15 anos compartilhando experiências culinárias em uma página na internet, ela produziu um chutney de cebola roxa em casa, em uma época em que o produto ainda era pouco conhecido, e todos que provaram a iguaria disseram que ela tinha que vender. Uma marca de queijos encomendou o chutney para servir junto aos produtos, e os pedidos começaram a surgir entre os participantes. “Como eu estava na época vivendo de freelance (sou designer de produto), aceitei os pedidos e comecei a produzir. Não parei mais”, afirma.
O ponto de virada aconteceu em 2015, durante um evento gastronômico em São Paulo voltado para blogueiras de gastronomia e marcas do setor alimentício. Hoje, a Vendinha Agridoce oferece potes de abacaxi com pimenta sriracha, pimenta com laranja, manga com maracujá, damasco com amêndoas, tomate e manjericão, cebola, figo e amora. A lista traz ainda chutney de cebola roxa, chutney de manga com mostarda, relish de pepino e molho de alho caramelizado. “Sempre estudando novos sabores para agregar também.”
Carla explica que uma das principais diferenças entre a produção artesanal e a industrial está justamente no processo. “As geleias artesanais costumam ter uma porcentagem maior de fruta, e dispensam o uso de conservantes industriais. Os conservantes de uma geleia artesanal são o próprio açúcar, ou também o vinagre no caso dos chutneys e relishes”, explica.
Ela destaca ainda o caráter manual da produção. “Outro fator importante que difere uma produção artesanal de uma industrial é a quantidade produzida, o tempo de prateleira, e toda a cadeia de produção que, pelo menos no meu caso, é feita por mim. Não são máquinas, muitos funcionários, CEO’s, etc. É uma pessoa por trás de todo o processo, desde compras, atendimento, produção, redes sociais, e tudo mais.”
A sazonalidade também faz parte da rotina de quem produz artesanalmente. Segundo Carla, a escolha das frutas acompanha o melhor período de cada ingrediente, tanto pela qualidade quanto pelo custo. “Por nossa produção ser pequena, priorizamos a produção de sabores das frutas e vegetais que estão em sua melhor fase (e preço também, para que possamos manter um preço competitivo). "Não possuo um único fornecedor, estou sempre buscando oportunidades por onde passo, seja em supermercados, atacadistas, feiras, ou fornecedores independentes”, explica Carla.
Apesar do crescimento do mercado, ela afirma que manter a produção artesanal em um cenário cada vez mais acelerado é um dos maiores desafios. “O maior desafio é entender nosso limite de produção e conseguir lidar com a urgência que o mercado atual exige da gente. O mercado não quer esperar a fruta estar na sua melhor época para ter sua geleia na prateleira, ou o cliente quer aquela geleia o ano inteiro na mesa. Tudo é para ontem, e para uma produção artesanal, o que na teoria deveria ser algo bacana, um diferencial (a questão da sazonalidade), na prática às vezes é um problema.”
Além da busca por sabor, Carla percebe uma mudança gradual no perfil do consumidor, cada vez mais atento à composição dos alimentos. “Creio que a preocupação maior seja em consumir produtos com menos química, produtos com pouco ou zero açúcar, ou zero glúten, ou até mesmo produtos que tenham um cuidado desde o atendimento, até a embalagem, e isso também reflete na forma que ele foi produzido. Ainda não acho que é a maioria do público que compra essa ideia, pois nem sempre é a mais barata na prateleira, mas quem compara com certeza prefere o produto mais natural”, afirma.
Contato para encomendas e compras:
Diet House
(17) 99718-0607 (WhatsApp)
Sabor Árabe
(17) 99705-8725
(Telefone)
Vendinha Agridoce
(17) 99643-4955 (WhatsApp)
Um amor que nasceu da dor
Margareth Cheiddi criou a Sabor Árabe em 2013 (Divulgação)
Na Sabor Árabe, a história das geleias se mistura diretamente com a trajetória pessoal da fundadora, Margareth Cheiddi. A marca nasceu em 2013, em um momento marcado pelo luto e pela reconstrução emocional. “Muitas pessoas me perguntam sobre a história das nossas geleias. Tudo começou poucos meses após a morte do pai, no dia do velório da mãe. Naquele momento de tanta dor, pensei em tâmara com avelã, ameixa com pistache, figo com nozes. E foi exatamente nove meses depois que nasceu a Sabor Árabe”, lembra.
A empresa, sediada em Rio Preto, aposta em geleias e compotas inspiradas na culinária árabe, utilizando frutas, especiarias e combinações gourmet. A proposta é unir o artesanal a sabores exóticos e sofisticados. “Cada geleia, cada compota, carrega uma história. Uma história de amor", afirma Margareth.
Hoje, a Sabor Árabe reúne mais de 60 sabores divididos entre linhas árabes, brasileiras, apimentadas, zero açúcar e geleias exóticas. Entre as combinações estão tâmara com avelã, damasco com nozes, figo com nozes, amora no vinho tinto, maracujá com coco e lascas de amêndoas e morango com vinho.
A produção artesanal também é um dos pilares da marca. Segundo Margareth, os produtos são feitos sem conservantes, corantes, lactose ou glúten. Ela reforça ainda o diferencial das geleias artesanais em relação às industrializadas. “Por se tratar de uma receita totalmente natural, feita com frutas e especiarias, o sabor permanece mais apurado e os nutrientes são mantidos. Isso permite que, a cada degustada, os sabores se tornem cada vez mais surpreendentes. Sua versatilidade é uma ótima opção para não faltar em casa.”
Versáteis, as geleias ganharam espaço na gastronomia contemporânea e passaram a ser utilizadas em diferentes tipos de pratos e harmonizações. Entre as sugestões estão acompanhamentos para carnes, peixes, queijos, cafés, vinhos, sobremesas e pães artesanais. “As geleias são acompanhamento de luxo para pratos principais”, afirma Margareth.
Além das geleias tradicionais, a Sabor Árabe lançou recentemente um mel de tâmara, produto que, segundo a marca, possui menor valor glicêmico e calórico em comparação ao mel de abelha. “Aprendi a cozinhar com os meus pais e as geleias vieram do trono de Deus. De sabor exótico e gourmet, com gosto de quero mais, as geleias nasceram como um sonho realizado pela graça de Deus, em um momento muito difícil da minha vida, após a perda dos meus pais. "Simplesmente, tenho gratidão por tudo e a Deus”, afirma Margareth.
Negócio familiar nasceu para adoçar a vida de um diabético
A Diet House começou nos anos 1990, quando receitas de família foram adaptadas para adoçar a vida de um avô diabético (Divulgação)
Quem também conta com uma diversidade de geleias em seu catálogo é a Diet House, que começou a sua história dentro da casa da família, movida pela necessidade de adaptar receitas tradicionais para uma alimentação mais saudável. Segundo Carolina Ribeiro, proprietária do Empório Diet House, tudo teve início no começo da década de 1990, quando o avô da família foi diagnosticado com diabetes. “Meu avô era apaixonado por doces e, quando ficou diabético, no início da década de 1990, quase não existiam opções de doces zero açúcar nos mercados. Minha avó, como uma boa mineira, começou a adaptar suas receitas de família para agradá-lo. Foi assim que nasceu a nossa história”, conta.
A Diet House nasceu oficialmente em 1990, focada na produção de doces sem adição de açúcar. Já o Empório Diet House foi criado em 2018, ampliando o portfólio com bolos, tortas e sobremesas, além das tradicionais compotas artesanais. Hoje, a empresa trabalha com 48 sabores, entre doces de frutas em calda, doces cremosos, geleias agridoce e fondant de leite. Entre os lançamentos recentes estão camafeu, cocada e pé de moça.
Um dos principais diferenciais da marca está justamente na composição dos produtos. “Nossos produtos são zero açúcar, sem corantes e sem conservantes. Os doces de frutas contêm apenas dois ingredientes: a fruta in natura e o edulcorante, resultando em um doce saboroso e de baixa caloria”, explica Carolina. Ela destaca ainda o cuidado artesanal em toda a produção. “Toda a produção é artesanal, feita com muito amor e carinho por quem acredita que a vida pode ser mais doce, mesmo sem adição de açúcar.”
Parte das frutas utilizadas nas receitas é cultivada na propriedade rural da família e também de pequenos produtores parceiros. “A maior parte vem de pequenos produtores que nos fornecem frutas selecionadas e já conhecem nosso padrão de qualidade e a exigência dos nossos clientes”, afirma Carolina. Os produtos da Diet House podem ser encontrados em redes de supermercados em diferentes regiões do País, em empórios de Rio Preto, pelo site da marca e também pelo WhatsApp: (17) 99718-0607.
Segundo Carolina, a diversidade de sabores faz com que a sazonalidade não tenha grande impacto na produção. Ela também percebe um consumidor cada vez mais atento à qualidade dos alimentos e interessado em opções mais naturais. “A todo momento chegam novas pessoas em busca de opções de doces mais saudáveis. Hoje, os consumidores estão cada vez mais informados e preocupados em encontrar produtos que unam sabor e qualidade de vida", afirma Carolina.
O crescimento da procura também transformou a estrutura da empresa ao longo dos anos. “Nossa jornada começou no fogão de casa, com um caderno de receitas de família. Com a crescente demanda pelos nossos doces, a Diet House hoje está instalada em uma estrutura de mil metros quadrados, produzindo mais de 20 mil unidades de compotas e distribuindo para todo o Brasil”, afirma Carolina.