Publicado em 25/04/2026 às 21:43|Atualizado em 25/04/2026 às 21:43
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Presente na alimentação cotidiana e cada vez mais associado ao bem-estar, o mel é um produto que carrega uma cadeia produtiva complexa, que começa no campo e termina na mesa do consumidor. Na região de Rio Preto, a atividade apícola combina tradição familiar, biodiversidade e processos técnicos que asseguram qualidade e pureza, em um cenário onde o consumidor busca cada vez mais origem e transparência.
A produção começa, por exemplo, nas colmeias da espécie Apis mellifera, distribuídas em áreas rurais, onde o trabalho das abelhas é determinante para o resultado. “Nosso processo começa no campo, nas colmeias da espécie Apis mellifera, distribuídas na zona rural da região de Rio Preto. A colheita é feita apenas quando o mel está maduro, ou seja, quando os favos estão operculados (selados pelas abelhas). As melgueiras são recolhidas e encaminhadas rapidamente para nossa Unidade de Beneficiamento”, explica o produtor Murillo Borges, que atua ao lado do pai, Clóvis Borges, na Apicultura Borges.
Já na etapa industrial, o cuidado é manter as características naturais do produto. “Na indústria seguimos etapas técnicas, como a Desoperculação, que é retirada da camada de cera que sela o favo, a centrifugação, extração do mel por força centrífuga, sem aquecimento, filtração fina, que é a remoção de fragmentos de cera e impurezas físicas, e a decantação (3 a 5 dias), em que o mel repousa para que bolhas de ar e partículas se separem naturalmente.
Por último, acontece o envase e armazenamento, em que o mel é acondicionado em baldes ou frascos e armazenado em temperatura ambiente até a distribuição. “O consumidor recebe um produto in natura, sem aditivos, conservantes ou misturas”, afirma Borges.
O produtor Murillo Borges explica que o mel é considerado um reflexo direto da vegetação ao redor das colmeias. A diversidade de floradas da região influencia características sensoriais importantes. “A flora é determinante. Como nossas colmeias estão em diferentes áreas rurais da região, podemos ter predominância de floradas como silvestre, eucalipto, laranjeira e assa-peixe (Vernonia). Cada florada impacta diretamente: cor, que varia de âmbar claro a escuro; aroma, que pode ser mais suave ou intenso; sabor, com notas cítricas, amadeiradas ou herbais; e cristalização, que depende da proporção de glicose e frutose. Ou seja, o mel é um reflexo direto da vegetação e da biodiversidade da região.”
A garantia de pureza é outro ponto central na produção. “Nosso mel é 100% mel de abelhas, sem adição de açúcar ou qualquer outro ingrediente. Fazemos controle de umidade, medição de pH e teste de HMF (hidroximetilfurfural) e acidez titulável por laboratório terceirizado.” Para o consumidor, algumas orientações são importantes: “Verificar origem e CNPJ, conferir registro no serviço de inspeção, desconfiar de preços muito abaixo do mercado e saber que cristalização é natural (não é defeito).”
Tradição familiar e diversidade de produtos
Cutting honey from the bee hive. High quality photo
A tradição apícola na região também se reflete em empreendimentos consolidados, como a Seiva das Flores, que iniciou a criação de abelhas em meados 1981/1982 e hoje mantém cerca de 600 colmeias, com uma produção diversificada que inclui mel, própolis e cera de abelha, além de outros produtos naturais que revendem, como a geleia real e o pólen, atendendo consumidores em todo o Brasil.
À frente do negócio, Ricardo Santana destaca o caráter familiar da atividade e a conexão com o processo produtivo. Para ele, tradição, técnica e natureza caminham juntas. “Para nós, o mel não é apenas um alimento, mas também uma expressão da relação entre o homem e o meio ambiente, carregando história, cuidado e respeito em cada etapa da produção.”
Outro exemplo é o Apiário Melbee, empreendimento familiar que vem ampliando sua atuação ao longo dos anos e hoje trabalha com aproximadamente 1,5 mil colmeias, distribuídas entre apiários fixos e móveis. A produção segue os padrões do Ministério da Agricultura e da Vigilância Sanitária, com distribuição para diferentes regiões do país.
O portfólio inclui mel, própolis, pólen, geleia real, cera e variações como mel com geleia real, mel composto, mel gourmet e mel cru, entre outros produtos. Hoje, a produção se concentra em floradas como laranjeira, cipó-uva, silvestre e eucalipto.
Segundo o proprietário, Hebert Monteiro, do Apiário Melbee, a confiança no produto está diretamente ligada à consistência do trabalho ao longo dos anos e à transparência com o consumidor. “Nosso mel passa por um processo cuidadoso de extração e decantação antes do armazenamento, sempre respeitando padrões rigorosos de qualidade. A diversidade da flora nos permite oferecer diferentes tipos de mel, com características únicas”, afirma.
Teste de pureza do mel
Diário da Região
Testes Caseiros (Indicativos)
Não são 100% conclusivos, mas ajudam a levantar suspeitas.
Teste do Iodo
Pingue algumas gotas de iodo no mel diluído em água
• Se ficar azulado ou roxo → pode indicar presença de amido ou açúcar adulterado
• Se não mudar a cor → não há indício de amido
Teste da Água
Coloque uma colher de mel em um copo com água
• Mel puro tende a afundar e demorar para dissolver
• Mel adulterado costuma dissolver rapidamente
Teste da Cristalização
Mel verdadeiro costuma cristalizar com o tempo
• Se cristaliza → bom sinal
• Se nunca cristaliza → pode ter mistura com xarope, açúcar, pasteurização (mas depende da florada)
Fonte: Murillo Borges
Mel fortalece economia, sustentabilidade e geração de renda no Brasil
Diário da Região
O mel é um dos alimentos naturais mais antigos e valorizados pela humanidade. Por isso, ganhou ainda mais destaque no dia 17 de março, quando é celebrado o Dia Nacional do Mel. No Brasil, a cadeia produtiva vai além da mesa do consumidor e se consolida como importante ferramenta de geração de renda, inclusão produtiva e preservação ambiental.
Desde 2014, com a criação da Rota do Mel, o Governo Federal já investiu mais de R$ 15,7 milhões na estruturação da apicultura e da meliponicultura em 13 estados, beneficiando mais de 3,3 mil produtores. Juntos, eles são responsáveis por cerca de 24,1 mil toneladas anuais de mel e derivados, como própolis, pólen, cera e geleia real, em uma atuação que hoje alcança 386 municípios e fortalece, principalmente, a agricultura familiar.
Além do impacto econômico, a atividade tem papel estratégico para o meio ambiente, já que as abelhas são bioindicadoras da qualidade ambiental e fundamentais para a polinização de culturas agrícolas e espécies nativas. No país, a cadeia produtiva gera mais de 350 mil empregos diretos e indiretos e tem avançado também na inovação e na abertura de mercados, com exportações para Europa, Ásia e América do Norte.
A Rota do Mel articula políticas públicas, conhecimento técnico e investimentos para promover o desenvolvimento regional sustentável. “No Brasil, iniciativas como a Rota do Mel mostram que é possível unir produção, sustentabilidade e desenvolvimento regional em uma mesma cadeia produtiva”, afirma o secretário Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Daniel Fortunato.
Cristalização não é defeito e revela qualidade do produto
O produtor Murillo Borges atua ao lado do pai, Clóvis Borges, na Apicultura Borges (Divulgação)
Entre as dúvidas mais comuns está justamente a cristalização. “A cristalização é um processo natural do mel verdadeiro. Ela ocorre principalmente por causa da proporção de glicose. Quando necessário, realizamos descristalização controlada, com aquecimento suave, sem comprometer qualidade. Mel adulterado, inclusive, costuma demorar mais para cristalizar”, afirma o produtor Murillo Borges.
Do ponto de vista nutricional, o mel se destaca como uma fonte natural de energia e compostos bioativos, segundo Borges. “O mel é uma fonte natural de energia rápida (glicose e frutose), compostos antioxidantes, minerais e enzimas naturais, além de propriedades antimicrobianas leves. É um alimento natural, mas ainda é açúcar natural. Deve ser consumido com moderação.” Há também uma recomendação importante. “Não deve ser oferecido a crianças menores de 1 ano (risco de botulismo infantil).”
A produção, no entanto, enfrenta desafios crescentes relacionados ao meio ambiente. “Alterações climáticas mudam a época e intensidade das floradas. Secas prolongadas reduzem produção de néctar. Uso indiscriminado de agrotóxicos pode afetar a saúde das abelhas e a sobrevivência das colmeias. Por isso, buscamos posicionar colmeias em áreas com menor impacto químico e monitoramos constantemente a saúde dos enxames. A apicultura sustentável depende de equilíbrio ambiental”, revela Borges.